Diretor sueco Tomas Alfredson faz filme denso de espionagem

“O Espião que Sabia Demais” promove mergulho nos anos 1970 e traz atuação discreta e forte de Gary Oldman

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

O diretor Tomas Alfredson ( "Deixa Ela Entrar" ), de “O Espião que Sabia Demais”, exibido na manhã da segunda-feira (5) na competição do Festival de Veneza 2011 , tomou para si a difícil missão de adaptar um romance de John Le Carré, criador de tramas complexas.

Divulgação
Gary Oldman: mais contido em "O Espião que Sabia Demais"
É preciso tempo e muita atenção para entender o que verdadeiramente se passa no filme. Uma ação pedida secretamente por um dos chefes do MI-6 em Budapeste, nos anos 1970, dá errado, e o agente morre. Tanto o comandante da operação quanto seu braço direito, George Smiley (Gary Oldman), são demitidos. Mas, quando há mais indícios de que existe um agente duplo atuando em favor da KGB no topo da hierarquia, Smiley é chamado de volta para investigar.

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Esse universo parece muito distante, apesar de recente. Afinal, hoje não há mais União Soviética ou Cortina de Ferro, os inimigos são indefinidos, a cara da espionagem mudou. E Tomas Alfredson, diretor de “Deixe Ela Entrar”, promove um mergulho gradual e lento nesse mundo.

O filme demora um tanto a engrenar, mas depois eletriza, apesar de não ter cenas de ação. As emoções e pensamentos suprimidos são brilhantemente interpretados pelo elenco fabuloso, formado por Gary Oldman, Colin Firth, John Hurt, Mark Strong, Benedict Cumberbatch, Tom Hardy, Toby Jones e Ciáran Hinds, com destaque para Oldman, que deixa de lado os personagens bombásticos para interpretar um espião à espreita, que tudo observa.

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Na coletiva de imprensa que se seguiu à exibição, Oldman comentou sobre o discreto personagem. “Sim, interpretei personagens no passado muito frenéticos, que se expressavam emocionalmente de forma muito física. Esta foi uma oportunidade maravilhosa de fazer diferente. É que você está à mercê da indústria. Christopher Nolan foi bem criativo em me colocar como o comissário em ‘Batman’. Foi a mesma coisa com Tomas, ele viu algo em mim.”

O produtor Tim Bevan disse que escolheu o sueco Tomas Alfredson em vez de um diretor inglês de propósito. “Queria achar alguém que fizesse uma jornada pela nossa cultura. E Tomas é muito meticuloso, tem uma atenção forense pelo detalhe.”

O diretor, por sua vez, afirmou ter evitado inspirar-se no cinema. “Muitos filmes tentam se inspirar em outros filmes, o que para mim não é tão interessante. Eu me inspirei em pinturas e músicas, mas não gosto de dizer quais. Você tem de adivinhar.”

Colin Firth, que, depois de ganhar o Oscar por “O Discurso do Rei” , faz aqui um papel importante, mas não o principal, disse que ficou feliz. “O Oscar não mudou muita coisa. Fiz o que havia de melhor no menu, era isso. Tive a chance de fazer algo apetitoso, mas sem ter de carregar o peso.”

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