Black Swan traz performance talentosa de Natalie Portman

Filme de Darren Aronofsky inaugura festival com história de potencial polêmico por cena de sexo entre a atriz e Mila Kunis

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Reuters
Natalie Portman chega para coletiva em Veneza, com o ator Vincent Cassel ao fundo
Darren Aronofsky abre oficialmente o 67º Festival de Veneza na noite desta quarta-feira (1º), dois anos depois de ganhar o Leão de Ouro com O Lutador . E Black Swan é, de certa forma, um filme aparentado do vencedor de 2008. “Quanto mais eu conheci o mundo do balé clássico, mais semelhanças eu vi com a luta livre”, disse o diretor na coletiva de imprensa no início da tarde. “Em ambos, as performances são completamente baseadas no físico. Mas, claro, cada história é uma, e aqui a dualidade do personagem levou a uma abordagem mais psicológica”, completou.

O longa-metragem foi apresentado de manhã em sessão para jornalistas. Natalie Portman interpreta Nina, uma bailarina perfeccionista e retraída que finalmente ganha a chance de ser protagonista na grande companhia de dança de que faz parte. O diretor (Vincent Cassel) considera-a perfeita para o papel do Cisne Branco em O Lago dos Cisnes , mas ela é doce demais e incapaz de mostrar sensualidade e energia para fazer o Cisne Negro. Os ensaios mostram-se estressantes, com Nina sendo pressionada pela mãe dominadora, pelo diretor, pela inveja das outras bailarinas e por sua própria transformação. Seu lado negro aflora pouco a pouco (um tanto devagar demais, no entanto), num processo alucinatório que atinge o clímax na noite de estreia.

Divulgação
Mila Kunis e Natalie Portman: rivais no balé acabam na cama, em cena que promete dar o que falar
Natalie Portman, que estudou balé quando era pequena, começou a se preparar um ano antes das filmagens – ela foi convidada pelo diretor a fazer o papel em 2002. Durante os seis meses anteriores à rodagem, ela fazia cinco horas diárias de treinos, com balé e cross training, e praticou a coreografia durante três meses. “Disciplina, foco, obsessão, esta era a zona em que transitávamos”, disse a atriz na coletiva. Cassel, que também dançou balé quando criança, contou que achou mais difícil do que pensava. “É preciso ter vocação, como os monges. Você trabalha muito e não ganha dinheiro! É algo que uma pessoa não deveria fazer”, brincou.

Natalie contou que, apesar de não ter visitado um balé russo pessoalmente, entendeu o drama da personagem por conta de suas origens. “Minha avó era russa, eu conheço esse senso dramático.” Já o diretor visitou o Balé Bolshoi em Moscou e viu uma montagem de O Lago dos Cisnes . “Fiquei estarrecido, lá havia um final feliz! Pensei: ‘O que está acontecendo aqui, estamos na Rússia!’”, afirmou. Aronofsky disse que tentou ao máximo representar o mundo do balé de maneira correta, mas que enfrentou dificuldades de acessá-lo. “É um mundo insular, eles não demonstravam interesse. Normalmente, se você diz que vai fazer um filme, as portas se abrem”, afirmou.

O cineasta usou um pouco do estilo documental vigoroso empregado em O Lutador . Mas aqui ele se mistura a cenas fantásticas, com utilização de efeitos visuais, para marcar o processo de transformação da personagem.

Getty Images
Darren Aronofsky, Portman e Cassel em Veneza
Black Swan tem algum potencial para polêmica por conta de cenas de masturbação e de sexo entre Nina e Lily (Mila Kunis). Natalie desviou da pergunta sobre como era beijar uma mulher. “Oito anos atrás, quando conversei com Darren sobre o filme, ele me disse: ‘A personagem tem uma cena de sexo consigo mesma’. Achei interessante, porque o filme é uma exploração da questão do ego do artista”, disse. O diretor afirmou que não era bem essa sua recordação. “Quando contei a ela, Natalie perguntou por quê...”, disse, rindo.

Indagada se estava mais para cisne branco ou negro, a atriz respondeu que via o cisne branco como alguém que só tentava agradar aos outros, enquanto o cisne negro era alguém que tentava satisfazer a seus próprios prazeres. “Eu hoje tento fazer mais o que desejo, não o quê as outras pessoas querem ou esperam de mim.”

Mas não há como desvincular a atriz, com seu jeito de certinha, do cisne branco. Aronofsky utiliza essa imagem a favor de seu filme, retratando a dificuldade de alguém doce e suave deixar aflorar o lado negro. Isso não quer dizer que Natalie Portman não ofereça mais uma performance talentosa, tornando-se desde já candidata ao prêmio de melhor atriz.

    Leia tudo sobre: black swannatalie portmandarren aronofskyveneza

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG