Balanço parcial da competição em Veneza é positivo, com destaque para "Shame"

À exceção dos três asiáticos e de Philippe Garrel, média das produções é boa, com destaque para os elencos masculinos

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Exibidos mais da metade dos filmes em competição no Festival de Veneza 2011 , dá para dizer que é um bom ano. Até agora, houve uma média alta de filmes interessantes, ainda que o único realmente fora de série seja “Shame” , de Steve McQueen.

Na metade da competição, "Carnage" é o preferido da crítica internacional em Veneza

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Carey Mulligan e Michael Fassbender em "Shame", destaque da competição em Veneza 2011
“Tudo pelo Poder” , de George Clooney, inaugurou bem esta edição, com uma história sobre a luta pelo poder em diversos níveis: entre pré-candidatos democratas à eleição presidencial e entre assessores da campanha. É um filme coeso e tenso, com boas atuações. “Carnage” , de Roman Polanski, logo entrou na lista dos preferidos dos jornalistas e foi ovacionado em sua sessão de imprensa. O longa tem performances estupendas de seu quarteto de atores, Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly, e um texto fabuloso, vindo da peça de Yasmina Reza. Mas, ainda que o diretor esteja longe de ser bobo, falta à produção um pouco mais de cinema.

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“A Dangerous Method” , de David Cronenberg, ao contrário, leva o espectador ao mundo de Carl Jung e Sigmund Freud, de sua amizade à rivalidade e ao rompimento. Também tem grandes atuações do elenco masculino – Michael Fassbender, Viggo Mortensen e Vincent Cassel –, mas uma atriz (Keira Knightley) que não convence o tempo todo como uma mulher mentalmente perturbada. “O Espião que Sabia Demais” , o nome em português de “Tinker Taylor Soldier Spy”, de Tomas Alfredson, igualmente promove um mergulho, mas na Guerra Fria dos anos 1970, com uma história de espionagem que pede atenção total do espectador e, novamente, tem um elenco masculino perfeito. Bem diferente é o “Dark Horse” de Todd Solondz, que mantém o distanciamento entre o espectador e o que se passa na tela, com a história do “loser” Abe.

“Poulet aux Prunes” (ou "Frango com Ameixas"), de Marjane Satrapi e Vincent Paronnaud, foi bem recebido com uma história adocicada com um pano político forte, no Irã dos anos 1950. “Terraferma” , do italiano Emanuele Crialese, por sua vez, foi aplaudido por falar claramente de política, de como seu país trata os imigrantes.

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O elenco de "Carnage": favorito aos prêmios de interpretação
“Alpis” , do grego Yorgos Lanthimos, tem uma ótima e radical premissa e uma atmosfera estranha, mas o diretor às vezes se perde na tentativa de ser enigmático demais. É melhor, no entanto, ser original do que ser comum, como “Tao Jie” , de Ann Hui, a simples história de uma empregada doméstica e sua relação com seus patrões.

Os orientais, aliás, até agora deram vexame. Ou melhor, a seleção apresentada aqui. “Saideke Balai” , de Te-sheng Wei, é uma espécie de “Nosso Lar” de Taiwan, falando sobre a dominação japonesa no território dos nativos, e “Himizu” , de Sono Sion, uma mistureba sem sentido sobre adolescência e o Japão pós-tragédia tripla. No grupo das decepções está o chatíssimo “Un Été Brûlant” , do francês Philippe Garrel, que parece ter sido feito num outro tempo.

Quanto aos prêmios, “Shame” é o grande candidato, por enquanto, ao Leão de Ouro. Jodie Foster e Kate Winslet, de “Carnage”, vão ser difíceis de bater no troféu de atuação feminina. Já o prêmio de interpretação masculina vai ser mais difícil. Christoph Waltz e John C. Reilly, de “Carnage”, Gary Oldman e Colin Firth, de “O Espião que Sabia Demais”, Ryan Gosling, para ficar só no protagonista, de “Tudo pelo Poder”, são fortes candidatos. Sem contar, lógico, com Michael Fassbender, que concorre duas vezes, por duas performances estupendas, em “A Dangerous Method” e “Shame”.

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