Balada Triste de Trompeta é delirante e envolvente

Obra do espanhol Alex de la Iglesia trata da ditadura franquista em tom alegórico

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Divulgação
Apesar do clima circense, "Balada Triste de Trompeta" tem violência exacerbada
O ano de 1973 está sendo marcante neste 67º Festival de Veneza. Depois de Post Mortem , do chileno Pablo Larraín, que se passa durante o golpe que derrubou Salvador Allende, agora é a vez do espanhol nascido em Bilbao Alex de la Iglesia, com Balada Triste de Trompeta , exibido na noite desta segunda-feira (6) na competição.

O filme tem a maior parte de sua ação nos últimos períodos do franquismo. As duas produções – a chilena e a espanhola – podem se passar na mesma época e terem em comum a abordagem de duas ditaduras sangrentas, mas as semelhanças param aí. O tom é completamente diferente. Post Mortem é distanciado, pouco dramático, contido nas emoções. Balada Triste de Trompeta é exuberante, caótico, barroco, passional, alegórico. Exige que se embarque numa aventura no estilo montanha-russa, mas também é muito bom.

No começo da história, o Palhaço Estúpido (Santiago Segura) e outros artistas do circo são recrutados pela milícia para lutar na Guerra Civil Espanhola. Ele vai morrer na prisão, mas, antes, pede a seu filho que se vingue. Adulto, Javier (Carlos Areces) também vai trabalhar no circo, mas como um Palhaço Triste. Começa uma rivalidade com outro palhaço, Sergio (Antonio de la Torre), pelo amor da acrobata Natalia (Carolina Bang). A disputa vai se intensificando e ficando mais cruel e violenta, com tiros, facadas e mutilação.

A violência se justifica para mostrar o estado de ânimo de um período dos mais sangrentos da história. O sangue espirra e jorra como resultado da divisão da sociedade, desfigurada pela ditadura franquista e pela Guerra Civil. Em certo momento, um personagem pergunta: “Será que somos todos loucos?”. O delírio aumenta cada vez mais, envolvendo os elementos mais diversos, de animais à Igreja Católica.

A mistura pop de Balada Triste de Trompeta junta diversas referências, de Um Corpo que Cai , de Hitchcock , aos filmes de monstro, e vários gêneros – terror, drama, ação, romance. É uma mescla forte, envolvente e impossível de deixar alguém indiferente.

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