Balada Triste de Trompeta" / Balada Triste de Trompeta" /

Alex de la Iglesia faz "exorcismo da fúria" em película

Cineasta cria alegoria da Guerra Civil Espanhola em Balada Triste de Trompeta

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Reuters
O diretor Alex de la Iglesia (segundo à direita) com o trio protagonista de "Balada Triste de Trompeta"
O cineasta espanhol Alex de la Iglesia apareceu bem-humorado para a coletiva de imprensa de Balada Triste de Trompeta , no início da tarde desta terça-feira (7). O filme foi exibido na noite anterior para jornalistas, dentro da competição do 67º Festival de Veneza. A explicação é simples: o diretor está feliz com o resultado.

“Creio que é meu filme mais pessoal. Foi o que mais desfrutei e mais sofri rodando. Estou muito orgulhoso.” Ele falou sobre a mistura de gêneros de seu longa-metragem: “É minha maneira de ver a vida. Fundamentalmente é uma história de amor. De amor, de humor e de terror”.

Divulgação
O ator Carlos Areces em cena: nudez nas filmagens provocou risos na coletiva de imprensa no festival
De la Iglesia também comentou por que a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a ditadura de Francisco Franco (1939-1975) são importantes hoje em dia. “Não posso falar pelos demais, mas, a mim, me importa muito. A mim e ao personagem”, disse. “Temos um passado terrivelmente doloroso que de alguma maneira reflete-se no presente. Por meio de nossos pais e avós vivemos a tortura da guerra civil na nossa cabeça. Isso nos influencia e nos muda a vida. No caso do personagem, o destroça.”

Para ele, a ira e a ânsia de vingança conduzem inexoravelmente à destruição. “O filme é um pouco o exorcismo dessa angústia, dessa fúria. Um jeito de tirá-la para fora e enterrá-la devidamente.” O cineasta ainda disse que a sensação que tem do passado é de uma vivência de hostilidade. “Víamos essa agressividade como algo natural. Com o tempo descobrimos que não, que era um inferno que vivíamos. Isso não deveria ter ocorrido e, por favor, não deixemos ocorrer novamente.”

Um jornalista perguntou por que o diretor tinha usado dois palhaços, um violento e outro que se torna violento, num embate pelo amor da acrobata Natalia (Carolina Bang). “Me dei conta de que é o ódio que tenho a mim mesmo, a uma parte de mim. Um palhaço representa meu lado intransigente, intolerante, violento, rancoroso. E o outro representa meu lado intransigente, intolerante, violento, rancoroso”, disse, provocando risos.

A entrevista terminou em tom ainda mais engraçado, quando o ator Carlos Areces contou como foi o trabalho. “Digamos que, numa pirâmide de prioridades, a segurança dos atores não estava no topo”, brincou ele. De la Iglesia entrou na conversa. “Ele teve de ficar nu, durante 24 horas, para a cena na floresta. Era absurdo ficar tapando e destapando. Então deixamos que ele ficasse nu”, disse o diretor. “Aí houve a cena do javali, feito de plástico, enorme. Sem querer, o javali golpeou sua genitália”, completou. Areces então continuou a brincadeira: “Por isso ela aparece tão pequena no filme!”. E pediu ao diretor de cumprir a promessa que tinha feito durante a filmagem de também ficar nu. “Se houver um javali à mão, sem problemas!”, finalizou o cineasta.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG