Abel Ferrara falha na tentativa de fazer filme jovem em "4:44"

Diretor usa Skype e gadgets para falar do fim do mundo; Daniel Dafoe lidera o elenco

Mariane Morisawa, enviada especial a Veneza |

Marcada para as 23h da terça-feira (6) no Festival de Veneza 2011 , a sessão de “4:44 – Last Day on Earth” (“4:44 – Último dia na Terra”, na tradução literal), de Abel Ferrara, iniciou-se com 40 minutos de atraso depois da suspeita de incêndio durante a exibição do chinês “People Mountain, People Sea” .

Quando finalmente começou, o filme mostrou-se uma fraca mistureba sobre o fim do mundo, a anos luz de “Melancolia” , de Lars Von Trier, outro longa recente com o mesmo tema. Num apartamento em Nova York, Cisco (Willem Dafoe), um ator de meia idade, e Skye (Shanyn Leigh), uma jovem artista plástica, apaixonados, preparam-se para o fim do mundo, que tem dia e horário marcados, mas não um motivo especifico.

Divulgação
Willem Dafoe e Shanyn Leigh em "4:44 – Last Day on Earth", de Abel Ferrara
Para um filme desses dar certo, é preciso personagens fortes e carismáticos e um bom texto. “4:44” não tem nada disso. Os dois, insuportáveis, apenas brigam e fazem sexo. Há vários gadgets modernos, televisões de última geração, dando notícias sobre o evento e mostrando discursos de Al Gore e do Dalai Lama, comentados de forma óbvia pelo protagonista.

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Um entregador de comida, que surpreendentemente trabalha em pleno fim do mundo, pede para usar o Skype e falar com a família na Ásia. Depois, Cisco conversa com a filha do primeiro casamento, e sua ex-mulher briga com Skye, numa cena verdadeiramente ridícula.

Nada é natural, tudo é postiço, mas não o suficiente para deixar o filme interessante. É como se Ferrara, de 60 anos, quisesse mostrar que pode fazer um filme “jovem”. O que ele conseguiu foi provar que só saber usar o Skype não basta.

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