Com o delirante "Passion", Brian De Palma fecha competição do Festival de Veneza

Filme é feito com personagens loucos e tem no elenco Noomi Rapace e Rachel McAdams

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Dono de uma trama rocambolesca e delirante, o filme "Passion", dirigido por Brian de Palma e estrelado por Noomi Rapace e Rachel McAdams, fechou a mostra competitiva do Festival de Veneza 2012 .

Especialista em movimentos de câmera, mestre da conturbação e, na ultima fase de sua carreira, ligado a uma prazerosa desordem argumental, Brian de Palma voltou a Veneza com muito bom humor e poucas pretensões, seis anos depois de ganhar o prêmio de melhor diretor com "Guerra Sem Cortes", centrado nas adversidades dos soldados americanos no Iraque.

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"O cinema de suspense me dá a oportunidade de contar minhas histórias de uma maneira muito mais visual. E esta história se sustenta sobre duas cenas principais, que se apoiam na interação de duas atrizes que dão substrato emocional ao filme", disse o diretor de filmes como "Carrie, A Estranha" e "Scarface".

Remake do filme francês "Crime de Amor", de Alain Corneau, "Passion" se apresenta sem regras que, tanto no terreno emocional como no profissional, é marcado pelas atuações de suas duas atrativas protagonistas (Noomi e Rachel).

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O ponto forte de "Passion" é que, levando em conta que os seus personagens estão todos loucos, tudo pode acontecer. Dessa forma, o filme se transforma em um divertido carnaval, surpreendente por sua tendência ao disparate e ao excesso.

"Para mim, esse personagem foi muito difícil porque sempre busco entendê-los e, neste caso, ela está mentalmente e emocionalmente perturbada", explicou Noomi Rapace, que não considera que as protagonistas sejam lésbicas, mas "utilizam o sexo como arma para conseguir o que querem, uma arma que é usada entre elas".

Ao longo de "Passion" é inevitável encontrar referências ao mestre do suspense, que já foi homenageado em outros filmes de Brian de Palma. "Hitchcock? Não sei a quem se refere", brincou o diretor, da mesma maneira que, quando alguém estava tentando encontrar uma coerência factual em sua hilariante trama, contestou gritando em falsete: "É um sonho!", declaração que foi logo seguida por aplausos de seus inúmeros fãs.

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Mas com sua tendência ao coquetel de referências, De Palma não se preocupa em fazer do filme seu pátio de recreio: música orquestral em boas quantidades, tela dividida entre a preparação de um assassinato à direita e um balé à esquerda e, certamente, erotismo multidirecional instigado por todo tipo de dispositivo.

"Me considero um grande observador das novas tecnologias. Já as utilizei em 'Guerra Sem Cortes' para construir a história, integrando-as em minha narrativa. E me considero um pouco visionário, um pouco profeta, levando em conta que meu filme 'Olá, Mamãe' (1970) já falava de um programa de um reality show chamado 'Be Black Baby'", declarou o cineasta.

Perguntado sobre a possibilidade de ganhar o Leão de Ouro, De Palma reconheceu que não descarta essa possibilidade, mas acredita ter muito mais chances nos prêmios Queer Lion, dedicado a filmes com temática homossexual.

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