Sul-coreano "Pietà", de Kim Ki-duk, critica capitalismo extremo

Por meio de história de cobrador de agiota, cineasta premiado fala de como o sistema econômico afeta as relações interfamiliares

Mariane Morisawa - enviada especial a Veneza |

A crise de valores e do capitalismo volta a aparecer na competição do Festival de Veneza 2012 , no sul-coreano “Pietà”, de Kim Ki-duk, exibido na noite da segunda-feira (3) para jornalistas. Na mesma linha de seus compatriotas, como Park Chan-wook (“Oldboy”), o cineasta vencedor do Urso de Prata (“A Boa Samaritana”) e do Leão de Prata (“3-Iron”) não tem medo de ir a extremos para contar a história do sanguinário Kang-do (Lee Jung-jin), que trabalha para um agiota e deixa deficientes os clientes incapazes de pagar seus débitos, na cidade de Cheonggyecheon.

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Um dia, bate à sua porta Mi-sun (Cho Min-soo, que entrou na lista de sérias candidatas à Coppa Volpi de atriz), dizendo: “Sinto muito por ter abandonado você”. Kang-do não acredita que ela seja sua mãe, a rechaça, mas pouco a pouco ele passa a crer. A mulher cozinha, faz tricô e, como estamos num filme sul-coreano, até o masturba. Não se sabe por que ela resolveu aparecer só agora, quando Kang-do já tem 30 anos. Mas, devagar, o comportamento do rapaz sofre mudanças.

Ki-duk filma num estilo urgente, de câmera na mão e zooms desajeitados. Seu tema é como o capitalismo extremo e o dinheiro corrompem as relações, apesar de ser visto como solução de todos os males. Só quando a fé do protagonista é restaurada há salvação. A produção foi bem recebida pela plateia de jornalistas – que riu logo no início dos créditos com a informação “o 18º longa de Kim Ki-duk”.

Reuters
De óculos escuros, o diretor Kim Ki-duk em Veneza: discussão das relações humanas no capitalismo

Na coletiva de imprensa do início da tarde da terça-feira (4), Ki-duk explicou a origem do título, baseado na obra de Michelangelo. “Estive duas vezes no Vaticano e vi essa obra-prima. Para mim, aquele abraço da mãe em seu filho é um abraço em toda a humanidade que sofre. É um símbolo do compartilhamento da dor e do sofrimento.”

Leia também: Na metade da competição, três filmes sobre fé dividem a atenção

Negou que tenha se inspirado nas tragédias gregas, apesar de contar que elas são muito populares na Coreia. “Elas são sobre relações interfamiliares, enquanto em meu filme estou tentando discutir o capitalismo extremo e como afeta os relacionamentos nas famílias, como as relações humanas podem mudar por causa dele.”

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