Filme "Spring Breakers" explora corpos de Vanessa Hudgens e Selena Gomez

Com participação de James Franco, longa exibido no Festival de Veneza tem a intenção de chocar, mas cria apenas polêmica vazia

Mariane Morisawa - enviada especial a Veneza |

Três amigas roubam um restaurante e se juntam a uma quarta para passar a semana do saco cheio (ou “spring break”) na Flórida. É formada a festa, com muita bebida, drogas, sexo, mulheres peladas. O elenco tem Vanessa Hudgens, Selena Gomez e James Franco. Resultado: uma sessão de “Spring Breakers”, de Harmony Korine, lotada como poucas na competição do Festival de Veneza 2012 , na noite desta terça-feira (4).

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O mais surpreendente, provando que as reações nas exibições para jornalistas querem dizer pouca coisa, foi a quase ausência de vaias para o que é, certamente, o pior filme do festival até agora. “At Any Price” , de Ramin Bahrani, queria dizer uma coisa e dizia outra. O israelense “Lemale et Ha’Chalal” não queria dizer muita coisa. O longa de Korine quer chocar simplesmente, apostando no vazio – de ideias, dramaturgia e imagem.

Korine escreveu o roteiro do polêmico “Kids” (1995), de Larry Clark. “Spring Breakers” vai na mesma linha, sem que o diretor tenha a mesma habilidade – e, 20 anos depois, tudo soa velho.

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O filme abre com um interminável desfile de bundas, peitos e garotas chupando picolés. De mulheres apenas, que fique claro. Candy (Vanessa Hudgens), Cotty (Rachel Korine), Brit (Ashley Benson) e a carola (Selena Gomez), com o nada sutil nome Faith, ou “fé”, estão sem dinheiro para viajar na semana do saco cheio. As três primeiras resolvem assaltar um restaurante. Na Flórida, elas acabam presas numa das inúmeras festas sem distinção que acontecem na primeira meia hora. Um traficante (James Franco, exagerado) as tira da cadeia, com segundas intenções.

“Spring Breakers” é falsamente polêmico porque coloca meninas no papel de poderosas, capazes de assaltar e atirar só para se divertir, mas de biquíni o tempo inteiro. Explora o corpo feminino sem pudores, mas não despe suas atrizes principais. No fim, é até conservador. Pior de tudo é que o diretor nem sabe o que fazer com uma câmera, rodando de um lado para outro, sem chegar a parte alguma.

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