Em Veneza, Olivier Assayas faz retrato complexo e moderno dos anos 1970

Em 'Apres Mai', cineasta faz um passeio por aquela década, com suas drogas, buscas espirituais, amor livre e desigualdade entre mulheres e homens

Mariane Morisawa - enviada especial a Veneza |

Depois da minissérie “Carlos” , Olivier Assayas volta aos anos 1970 com “Apres Mai” (“depois de maio”, na tradução literal do francês; em inglês, ganhou o título "Something in the Air"), exibido na manhã desta segunda-feira (3) na competição do Festival de Veneza 2012 , com boa recepção por parte dos jornalistas.

Desta vez, ele conta algo mais íntimo, pessoal mesmo, por meio da história de Gilles (Clément Métayer). O rapaz está no final do ensino médio e incendiado pelos protestos estudantis contra injustiças, governo, o mundo.

É 1971, depois do maio de 1968 citado no título. Faz panfletagens, pichações, colagem de cartazes, venda de jornais independentes ao lado de colegas como Christine (Lola Créton), com quem se envolve depois que Laure (Carole Combes) vai embora, e Alain (Félix Armand). Um dos protestos dá errado, Gilles e seus amigos vão para a Itália por um tempo.

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Reuters
O cineasta francês Olivier Assayas posa entre os atores Clément Métayer e Lola Créton

A história é o de menos. Assayas promove um passeio por aquela época, com suas drogas, buscas espirituais, amor livre, desigualdade entre mulheres e homens. São temas demais às vezes. O risco era fazer um filme velho. Mas Assayas não apenas trata os assuntos com os olhos de hoje, sem condescendência e ironia, como visualmente faz um cinema de hoje, que reflete também o presente, uma época novamente de grande revolta, porém sem esperança.

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Na coletiva de imprensa do início da tarde, Olivier Assayas comparou “Apres Mai” com “Água Fria”, de 1994, também sobre sua adolescência. “Aquele tinha uma aproximação mais abstrata daquele período. Agora, queria uma visão mais realista da época, para falar de dimensões diferentes daqueles tempos.”

O diretor também explicou a melancolia do longa-metragem. “Hoje há uma tendência de representar a adolescência como um período alegre, em que se ri muito, faz piadas. Não me lembro disso, mas sim da melancolia. E era uma época triste, com uma obsessão pela visão e processo políticos, às vezes as atitudes da esquerda eram tristes e violentas, refletindo nos jovens envolvidos.”

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