"To the Wonder", de Terrence Malick, leva misto de vaias e aplausos em Veneza

Diretor de "A Árvore da Vida" transforma caso de amor que não deu certo em história grandiosa, novamente discutindo amor e fé

Mariane Morisawa - enviada especial a Veneza |

Já virou tradição vaiar os filmes de Terrence Malick nas sessões de imprensa dos festivais. Foi assim em Cannes, no ano passado – e “A Árvore da Vida” saiu com a Palma de Ouro . E foi assim na manhã deste domingo (2) com “To the Wonder” (“em direção à maravilha”, na tradução literal do inglês), dentro da competição do Festival de Veneza 2012 .

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Verdade que as vaias foram esparsas e, como na França, misturadas com aplausos entusiasmados. Verdade também que Terrence Malick não é para todos, mesmo que o elenco de “To the Wonder” conte com astros como Ben Affleck, Javier Bardem, Rachel McAdams e a bela Olga Kurylenko ("007 - Quantum of Solace"). Malick é um cineasta que fala de filosofia em tempos em que os filmes para pensar são sobre temas sociais e políticos majoritariamente. Seus assuntos são a felicidade, a natureza e, principalmente, o amor e a fé.

A história é um fiapo: o americano Neil (Ben Affleck) e a ucraniana Marina (Olga Kurylenko) se apaixonam em Paris, mas, quando se mudam para os Estados Unidos, as coisas não vão tão bem. Ela vai embora, ele reencontra Jane, uma conhecida do passado (Rachel McAdams). Enquanto isso, o padre Quintana (Javier Bardem) procura Deus desesperadamente, num país, os Estados Unidos, em que a pobreza cresce a cada dia.

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No fundo, seria uma simples história do nascimento, duração e morte de um amor, mas, com o cineasta, tudo ganha contornos mais grandiosos. Novamente, Malick e seu diretor de fotografia Emmanuel Lubezki conseguem captar a vida e a beleza nos momentos mais simples do cotidiano doméstico e amoroso. A narrativa é lacunar, de pinceladas, sensorial, poética, quase sem diálogos e com alternância dos narradores. São memórias de uma vida, na verdade.

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A ucraniana Olga Kurylenko, no elenco de "To the Wonder", posa para fotógrafos em Veneza

Esses elementos todos o diferenciam de uma produção como o fraco israelense “Lemale et Ha’Chalal” , exibido na noite de ontem, também uma história de amor e fé, mas contada sem profundidade, conflito, vida, estética. Terrence Malick mergulha em jornadas de amor e fé. Em suma, de vida – uma coisa rara de alcançar. Suas crenças espirituais, porém, incomodam muita gente.

O diretor, avesso a fotografias e entrevistas, não compareceu à coletiva de imprensa do início da tarde, nem o elenco mais conhecido. Olga Kurylenko ficou encarregada de falar sobre o filme. “Senti uma conexão imediata com ele, assim que o conheci. Sem que ele dissesse nada, sabia que íamos trabalhar juntos. E no set tínhamos quase uma telepatia, ele não falava muito”, disse a atriz.

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Malick também pediu que ela relesse romances russos como “Anna Karenina” e “Irmãos Karamazov”. Para ele, as imagens são o mais importante, segundo Kurylenko. “Terrence acha que o silêncio pode ser mais poderoso do que a fala.”

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