"È Stato Il Figlio" passa com sucesso da comédia à tragédia

Primeiro italiano da competição, filme dirigido por Daniele Ciprì muda de gênero e tem final surpreendente

Mariane Morisawa - enviada especial a Veneza |

No começo, “È Stato Il Figlio” (“foi o filho”, na tradução literal do italiano), exibido neste sábado (1º), dentro da competição do Festival de Veneza 2012 , dá um pouco de apreensão. O diretor Daniele Ciprì – diretor de fotografia de “Vincere” – distanciou-se do naturalismo e deixou o tom lá em cima para contar a história de uma família siciliana, inspirado num romance de Roberto Alajmo.

O narrador é o melancólico Busu (atuação excelente do chileno Alfredo Castro, de “Tony Manero” e “Post Mortem” , ambos dirigidos por Pablo Larraín), um sujeito que fica sentado numa agência do correio de Palermo, contando histórias da cidade. Entre elas, a dos Ciraulo, uma família pobre liderada por Nicola (o ótimo Toni Servillo, de “Il Divo”) e formada por seus pais, sua mulher Loredana (Giselda Volodi) e os dois filhos, o jovem Tancredi (Fabrizio Falco) e a pequena Serenella (Alessia Zammitti), claramente a favorita do pai, decepcionado com o rapaz que, aos 21 anos, não tem emprego fixo.

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Seu primo Masino (Piero Misuraca), em compensação, traz dinheiro para casa, porque agora trabalha para a Cosa Nostra. Quando uma tragédia acontece, a família espera por uma compensação financeira que demora por vir, mas, assim que chega, transforma-se numa Mercedes novinha, parada na frente do conjunto habitacional pobre em que moram.

Os personagens são barulhentos e engraçados, mas, aos poucos, a comédia vai dando lugar à tragédia, numa transição difícil, mas bem-sucedida. O final surpreende.

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“Nicola dá pena. É um pai de família sem nenhuma perspectiva de futuro. É um filme um pouco mortuário, mas sorridente”, brincou o diretor durante a coletiva de imprensa do início da tarde. De fato, “È Stato Il Figlio” retrata a Itália com olhos pouco otimistas.

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