Francês "Superstar" discute mundo das celebridades

Diretor Xavier Giannoli faz um desabafo em história na qual homem fica famoso sem querer

Mariane Morisawa - enviada especial a Veneza |


Você já viu algo parecido antes – até no cinema, recentemente, em “Para Roma, Com Amor” , de Woody Allen. Um homem comum acorda um dia e descobre estar famoso. As pessoas pedem autógrafo, fotografam e chamam Martin Kazinski (Kad Merad) com uma intimidade que o perturba. Por quê? É a pergunta que ele – e o filme francês “Superstar”, de Xavier Giannoli, exibido na competição do Festival de Veneza 2012 – quer responder.

A aparentemente bem-intencionada Fleur (Cécile de France) consegue convencê-lo a participar do programa de entrevistas de que é produtora, usando a pauta: “O homem que não quer ser famoso”. E Martin só deseja mesmo seguir com sua vidinha “banal”, como diz o apresentador da atração, causando comoção nacional. Ir à empresa de reaproveitamento de peças de computador, socializar com os companheiros de trabalho, em sua maior parte portadores de deficiências, passar no supermercado.

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Não faltam pessoas que querem se aproveitar da celebridade do personagem, e o amor por ele logo torna-se ódio. Enquanto em “Para Roma, Com Amor” a chave é totalmente cômica, com Roberto Benigni interpretando o papel, aqui está mais para o dramático, com momentos em que se ri do absurdo da situação. E o filme vai longe na loucura que envolve o protagonista – um pouco demais, até, segurando-se muitas vezes na discrição dos dois excelentes atores principais.

“Superstar” fala de um tema muito atual, discutindo o que leva uma pessoa a se tornar célebre. O caso de Martin lembra o de Luiza (aquela que estava no Canadá) e, mais recentemente, do garoto Nissim Ourfali , que virou febre na internet com um vídeo para seu bar mitzvah. Só dá para imaginar a sua surpresa quando ficou famoso sem ter feito, efetivamente, nada para isso.

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Giannoli também propõe claramente um “não” coletivo a mais ou menos tudo o que está aí, um grito de desabafo de indivíduos tão banais quanto Martin, soterrados numa sociedade em que os valores se transformaram, só o dinheiro conta e todos são tratados como uma grande massa. Aquele grito que a gente tem vontade de soltar num dia de metrô cheio ou de horas de trânsito em São Paulo.

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