Empresário diz que candidato ao Senado teria recebido 5% do valor pago a mais na licitação

O vazamento do depoimento do empresário Pérsio Domingos Briante ao Ministério Público Estadual (MPE) sobre o superfaturamento de R$ 44 milhões dos maquinários poderá comprometer a campanha do ex-governador Blairo Maggi (PR), que lidera a disputa para o Senado.

A cópia do documento foi divulgada, nesta sexta-feira, pela Ong Moral e traz detalhes dos bastidores do escândalo da compra de 705 máquinas e caminhões pelo Governo, por meio do programa "MT 100% Equipado".

O empresário é proprietário da empresa Extra Caminhões e foi um dos vencedores da licitação.

Briante garante que 5% do superfaturamento foi supostamente destinado à campanha de Maggi, que deixou o governo em março.

Ele também relatou no depoimento que a suposta negociata contou com a participação do ex-secretário de Infraestrutura Vilceu Marcheti, que pediu demissão em meio ao escândalo, e Eumar Novacki, ex-chefe da Casa Civil.

O empresário afirma que toda a negociação entre os empresários estava sendo intermediada pelo então secretário Marchetti com o empresário Silvio Scalabrim, citado no documento como gerente da Mônaco Diesel.

Scalabrim teria organizado a maioria das reuniões entre os fornecedores que iriam participar do pregão a fim de estabelecerem ‘o preço cheio sem qualquer desconto’.

O esquema consistiu em uma combinação de preços entre todas as empresas participantes, mas com valor acima do mercado.

A orientação foi um acréscimo de 10% ao preço das máquinas e caminhões. Dessa diferença, o combinado era devolver parte ao próprio governo estadual.

Em dado momento, Pérsio Briante confirma que Marchetti pediu a comissão porque o dinheiro seria para campanha eleitoral. Pontua ainda que o ex-secretário exigiu que o valor fosse entregue em dinheiro.

Neste momento, Briante teria dito que precisava pensar no assunto porque não saberia como proceder tal pagamento. "Até porque já havia comprado os caminhões e tinha medo de que suspendessem os pagamentos, o que equivaleria a quebrar a sua empresa".

O empresário ainda explicou que seu depoimento ao Ministério Público teve objetivo de desmontar a "fábrica de corrupção" instalada na Secretaria de Estado de Infraestrutura (Sinfra). Ele alega ter sido pressionado e perseguido por Vilceu para pagar os 5% do valor.

Dessa forma, conta que procurou o então secretário de Fazenda e hoje comandante da Casa Civil Éder Moares e o presidente do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit), Luiz Antônio Pagot, para reclamar de Vilceu.

Na época, Pagot teria dito que não se responsabilizava pelos fatos tendo em vista que não era o responsável pela nomeação do ex-secretário.

O empresário disse que não possui qualquer responsabilidade sobre o vazamento do depoimento e que o responsável deverá ser punido. Diz, inclusive, que sua assessoria jurídica já cuida do caso.

O Ministério Público encaminhou uma nota esclarecendo que as tais informações não foram divulgadas pela instituição e que não irá se posicionar sobre as investigações, que correm sob sigilo por determinação judicial.

Poucas horas em que as informações foram veiculadas por toda a mídia local, o juiz José Arimatéa Neves Costa, da Vara Especializada em Crime Organizado, encaminhou uma notificação, para que fosse retirada do ar a reprodução do depoimento do empresário.

O juiz afirmou que as investigações correm sob sigilo e a divulgação pode incorrer a todos os responsáveis nas penas da Lei Penal. "Pois esta quebra de sigilo é extremamente pernóstica para a apuração dos fatos", afirmou.

O ex-governador Blairo Maggi também se manifestou sobre o caso. Por meio de nota, garantiu que jamais assentiu que servidores praticassem atos ilegais ou imorais.

O republicano reiterou que ao saber dos indícios de superfaturamento tomou as decisões no sentido de se apurar o caso e disse que deseja celeridade nas investigações como a punição dos eventuais responsáveis.

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