Em noite de gala, personalidades prestigiam a cerimônia de reabertura de um dos principais palcos da América Latina

Após dois anos e meio em reformas, o Theatro Municipal do Rio de Janeiro foi reinaugurado com festa na noite desta quinta-feira. Avaliada em R$ 75 milhões, a restauração da casa contou com o trabalho de 950 profissionais, sendo 350 restauradores. Na obra, foram utilizadas 219 mil folhas de ouro e mais de cinco quilos de cobre no revestimento de adornos.

"Tive medo das dificuldades, mas o resultado valeu a pena. Me preparei para enfrentar todos os problemas que porventura pudessem aparecer pela frente", disse satisfeita Carla Camurati, presidente da Fundação Theatro Municipal. Para ela, a restauração do local era imprescindível. "As tinturas estavam todas deterioradas", relembrou.

Cerimônia de gala marca reabertura do Thetro Municipal no Rio
iG São Paulo
Cerimônia de gala marca reabertura do Thetro Municipal no Rio

Além de grandes reparos, o Theatro Municipal ganhou novos acessos para possibilitar a circulação de pessoas portadoras de necessidades especiais. Entre as intervenções feitas visando a uma maior acessibilidade deste público estão a instalação de um elevador e de corrimãos duplos. Por uma questão de arquitetura, quem usa cadeira de rodas poderá ir apenas até a plateia. Outros níveis como a arquibancada não puderam receber o elevador instalado.

Em seu discurso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou, sem citar nomes, os governos anteriores pela situação crítica na qual se encontrava o Theatro Municipal.“Uma casa de cultura como essa jamais deveria ter sido tratada com irresponsabilidade de anos de descaso. É aceitável que um governante não tenha dinheiro para construir algo novo. O que não é aceitável é um governante permitir a destruição do que já está feito”, criticou. “O teatro passou por diversos desmazelos e precisou encontrar esse homem (Sérgio Cabral) para que essa restauração fosse feita”, disse, enaltecendo o governador do Rio.

A cerimônia de inauguração durou cerca de duas horas e meia, para 1.200 convidados, e foi apresentada pela atriz Marieta Severo. O espetáculo contou com uma interpretação do Hino Nacional pela Orquestra Sinfônia do Theatro Municipal, regida pelo maestro Roberto Minczuk, a apresentação do pianista Nelson Freire de "A Lenda do Caboclo", de Villa Lobos, e "Bacarola op. 60", de Chopin, e um número com coreografia de Dalal Achcar, tendo como solista a bailarina Ana Botafogo.

Marieta Severo apresentou a cerimônia
AgNews
Marieta Severo apresentou a cerimônia

"Esse é um marco para a cultura do País. Estou há 20 anos à frente do corpo de baile do Theatro Municipal e a emoção que senti hoje com sua reinauguração é como se fosse a primeira vez", avaliou emocionada Ana Botafogo.

O ator e diretor Sérgio Brito relembrou a data de comemoração pelos 50 anos da casa. "Em novembro de 1959, festejei com a mesma emoção de hoje. De lá pra cá, presenciei muita coisa bacana como a montagem de Romeu & Julieta, feita por Sérgio Cardoso". O imortal Arnaldo Niskier ressaltou a importância do teatro para o cenário cultural do Brasil. "Essa é a principal casa de concertos do País. Espero que a programação esteja à altura desta reforma ampla e cheia de detalhes", disse.

A coreógrafa Deborah Colker, que já esqueceu quantas vezes subiu ao palco do Municipal, tem planos para trazer a trupe circense Cirque du Soleil para a casa. "Montei o espetáculo pensando em uma lona de circo, mas esse palco incrível que ajuda a embelezar qualquer espetáculo". A atriz Letícia Spiller contou que esteve pela última vez na casa em 1992, quando ainda era uma atriz iniciante. "Naquela época já lembrava como o foyer estava mal cuidado e precisando de uma reforma. Fico feliz por terem levado a sério esta obra, que é de todo povo", resumiu a atriz.

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