chegada da centro-direita ao poder nesta quinta-feira diminuem a proximidade ideológica entre o governo chileno e o brasileiro, mas não devem alterar as boas relações políticas e econômicas entre os dois países, de acordo com analistas ouvidos pelo iG." / chegada da centro-direita ao poder nesta quinta-feira diminuem a proximidade ideológica entre o governo chileno e o brasileiro, mas não devem alterar as boas relações políticas e econômicas entre os dois países, de acordo com analistas ouvidos pelo iG." /

Piñera manterá boas relações com Brasil apesar da ascensão da centro-direita no Chile, dizem especialistas

A eleição de Sebástian Piñera e a http://ultimosegundo.ig.com.br/bbc/2010/03/11/pinera+toma+posse+no+chile+com+desafio+de+reconstruir+o+pais+9424147.html target=_topchegada da centro-direita ao poder nesta quinta-feira diminuem a proximidade ideológica entre o governo chileno e o brasileiro, mas não devem alterar as boas relações políticas e econômicas entre os dois países, de acordo com analistas ouvidos pelo iG.

Luísa Pécora, iG São Paulo |


O terremoto que atingiu o Chile em 27 de fevereiro, cujas consequências representam o principal desafio de Piñera, pode aumentar a importância das exportações ao Brasil. Em 2009, o comércio bilateral foi de US$ 5,323 bilhões.

"O modelo econômico chileno é exportador", afirma Bernardo Navarrete Yañez, analista político da Universidade de Santiago. "Para que os parceiros comerciais ajudem o país nesse momento, é necessário que mantenham os contratos existentes e aumentem o volume de compras de produtos tradicionalmente de exportação do Chile, como matérias-primas, manufaturados, vinho e frutas".

O analista considerou um "cálculo político muito acertado" a visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Santiago dias após o terremoto, que fez dele o primeiro líder estrangeiro a visitar o país após a tragédia. "Seus assessores deveriam ser parabenizados", diz Yañez.

AP
Lula encontra Michelle Bachelet em Santiago, em 01/03

Lula encontra Michelle Bachelet em Santiago, em 01/03

Para Patricio Navia, professor do Centro de Estudos Latino-Americanos e Caribenhos da Universidade de Nova York, o terremoto deve fazer com que o Chile busque ajuda de outros países. "Não se trata de auxílio econômico, mas sim em transferência tecnológica e em comércio", afirmou. "Vários países da região verão aumentar suas exportações agora que o Chile mergulha na reconstrução".

No caso do Brasil, Navia acrescenta que fato de os dois países não terem fronteiras em comum "reduz a tensão e abre oportunidades". "Na América Latina, o Brasil é o melhor amigo do Chile e o Chile é o amigo mais fiel do Brasil", afirma, acrescentando que a chegada de Piñera ao poder não deve mudar esse cenário. "Os países têm interesses comerciais em comum e devem se concentrar nisso."

Essa também é a opinião de Tullo Vigevani, professor de Ciência Política da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). "Tanto o Brasil quanto o Chile têm uma tradição de pragmatismo na política internacional", acredita. "Sem dúvida há diferenças políticas entre Lula e Piñera, mas ambos têm a clara intenção de manter as melhores relações."

Proximidade histórica

De acordo com o professor Vigevani, as relações historicamente boas entre os dois países ganharam força no século 19, quando o crescente peso econômico e político da Argentina impulsionou a aproximação entre seus vizinhos. "Para o Brasil, a relação com o Chile foi vista como capaz de manter o equilíbrio de poder na América do Sul", explica.

Em 1973, as relações foram marcadas de forma negativa pelo fato de o governo militar brasileiro ter apoiado o golpe de Estado chileno, liderado pelo general Augusto Pinochet (1973-1990). "Depois, a redemocratização brasileira, consolidada em 1985, estimulou a redemocratização chilena, em 1989", explica o professor.

AP
Piñera levou a centro-direita ao poder
Piñera levou a centro-direita ao poder
Na última década, as relações comerciais ganharam importância. Segundo a Câmara de Comércio de Santiago, o Chile tem cerca de US$ 8 bilhões no Brasil, segundo principal destino dos investimentos chilenos no exterior, atrás apenas da Argentina. Os investimentos brasileiros no Chile giram em torno de US$ 2 bilhões e partem principalmente de empresas como a Petrobras, a siderúrgica Gerdau e os bancos Itaú e Banco do Brasil.

Com uma política de não adesão a uniões aduaneiras, desde 1996 o Chile é associado, mas não membro do Mercosul. No total, tem 21 acordos comerciais com 56 países ou grupos de países, incluindo China, Estados Unidos e União Europeia.

Segundo o analista Navia, a estabilidade política fortalece as relações com nações desenvolvidas. "O Chile é pequeno, mas estável e tem bom trânsito na comunidade internacional", explica. "O Brasil não precisa de apresentação, mas países latino-americanos menores precisam. Ter boas relações com o Chile pode ser uma plataforma", afirma.

Com BBC e colaboração de Leda Balbino, iG São Paulo

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