Milhares de chilenos pegam a estrada para ajudar vítimas do terremoto

Milhares de chilenos se apresentam como voluntários para ajudar as vítimas do terremoto e da tsunami nas cidades mais atingidas do centro-sul do país, mostrando uma face da catástrofe que contrasta com os saques dos primeiros dias.

AFP |

Do norte ou do centro, eles ganham as regiões devastadas em seus próprios veículos para levar comida e água para as pessoas atingidas pela catástrofe, que matou pelo menos 450 pessoas.

"Viva o Chile!", era a frase escrita em um carro na estrada. Uma grande bandeira nacional era exibida com orgulho pela janela do motorista.

O carro estava à frente de um comboio de oito veículos repletos de comida.

"Antofagasta está aqui para ajudar!", indicava um adesivo em um caminhão, em referência à cidade do norte.

Nos primeiros dias depois do sismo de 27 de fevereiro, cenas de saques, revoltas e imagens de construções em ruínas abalaram o orgulho dos chilenos, mas as manifestações de solidariedade posteriores reanimaram a população do país.

Em cidades devastadas, como Constitución, caminhões de todos os tamanhos estacionam em frente aos centros de distribuição para recolher e depositar as doações.

"Isto funciona como um relógio suíço", comemora Cristian Valenzuela Aravena, encarregado de receber as doações e coordenar os voluntários no ginásio Ignacio Arrollo.

Modelo de prosperidade e de organização na América Latina, o Chile é muitas vezes considerado a "Suíça" da região.

No ginásio, o chão estava coberto de produtos de primeira necessidade e um exército de jovens carregam sacos de arroz, garrafas de óleo e embalagens de macarrão, entre outros.

Valenzuela elogiou o trabalho dos voluntários. "Sem eles, isto seria impossível".

Soldados montam guarda em frente ao centro onde uma multidão faz fila em calma, com paciência e cortesia.

"Esta é a primeira vez que tenho a chance de receber alimentos", disse Ana Carmen Castro, uma grávida que tenta com dificuldade manter seus quatro filhos ao seu lado.

Ana Carmen morava de frente para o mar, mas no momento do terremoto ela se refugiou nas colinas próximas a Constitución.

Na cidade, cerca de um quarto dos 60.000 moradores estão desabrigados e apenas um terço tem acesso a água potável. Desde sábado, a energia elétrica foi restabelecida em grande parte dos lares, segundo as autoridades.

Equipes de especialistas de Iquique e Arica, no extremo-norte do Chile, foram enviadas a Constitución. Socorristas de Calama, também no norte, chegaram de carro. Enfermeiras chegam de Valparaíso e Santiago (centro).

Mas as ONGs estrangeiras e organizações da ONU não apareceram em Constitución.

A ajuda estrangeira chegou, principalmente, sob forma de contribuição financeira, segundo Laura Alboroz, assessora da presidente Michelle Bachelet. Ao contrário do Haiti, onde mais de 220.000 pessoas morreram após um terremoto no dia 12 de janeiro, as cozinhas populares administradas por estrangeiros não são necessárias no Chile, disse ela, sem esconder uma ponta de orgulho.

ch/dm

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