Apagão atinge grande parte do Chile, inclusive Santiago

Um apagão deixou sem luz praticamente todo o território chileno às 20h40 local (mesmo horário de Brasília) aparentemente por um falha no Sistema Interconectado Central e não relacionado com o terremoto, segundo fonte oficiais. O blecaute afeta desde a cidade de Taltal no norte do país até a ilha Chiloé, que distam aproximadamente 3,5 mil quilômetros, passando pela capital Santiago.

AFP |

Passados 45 minutos do blecaute, nem o Ministério do Interior nem o Escritório Nacional de Emergência (Onemi) informaram o motivo da falha elétrica, que não está relacionada com nenhuma réplica do devastador terremoto de 27 de fevereiro.

O blecaute afetou as comunicações de telefonia fixa e celular e forçou a interrupção do serviço de metrô na capital do país, cujas estações foram esvaziadas.

O secretário-geral da Presidência, Cristian Laroulet, disse que o serviço será restabelecido de forma gradual em cerca de quatro horas.

O presidente do Chile, Sebastián Piñera, se reuniu imediatamente no Palácio de La Moneda com o ministro do Interior, Rodrigo Hinzpeter, e estão em contato com o diretor da Onemi, Vicente Núñez.

Núñez pediu à população para que se mantenha tranquila em suas casas até que a eletricidade seja restabelecida.

O porta-voz da companhia Chilectra, que distribui energia à região central do país, Juan Pablo Larraín, declarou à "Radio Cooperativa" que desconhece por enquanto onde aconteceu a falha.

Larraín considerou prematuro relacionar o blecaute com o terremoto que devastou o centro e o sul do Chile em 27 de fevereiro e causou cerca de 500 mortes.

Nas regiões do Maule e Bío-Bío, as mais castigadas pelo terremoto, o blecaute coincide com um toque de recolher decretado pelas autoridades para manter a ordem pública.

Neste sábado, o governo do país divulgou que as perdas provocadas pelo terremoto de 27 de fevereiro no Chile somam pelo menos US$ 30 bilhões, montante equivalente a 17% do Produto Interno Bruto (PIB) local . A cifra foi divulgada em entrevista coletiva pelo novo presidente do Chile, Sebastián Piñera, e coincide com a estimativa mais alta feita pouco depois da tragédia por consultorias americanas.

"O dano patrimonial causado pelo terremoto vai ser próximo de US$ 30 bilhões. Estou falando de imóveis destruídos, hospitais colapsados, escolas com graves danos, danos a nosso aparelho produtivo e nossa infraestrutura e muitas outras coisas", explicou Piñera.

O presidente chileno disse que houve erros por parte do Governo da agora ex-governante Michelle Bachelet ao lidar com o terremoto e o tsunami que atingiu o litoral chileno, os quais serão analisados mais adiante.

"É necessário que o Chile esteja muito melhor preparado para enfrentar adversidades e tenha um sistema de alarme avançado para tomar decisões que salvem vidas", afirmou Piñera, que assumiu a Presidência ontem.

Os acontecimentos imediatamente seguintes ao terremoto "demonstraram que o sistema de alarme tem que ser aperfeiçoado, e também o sistema de ajuda oportuna, que inclui a manutenção da ordem pública e o fornecimento dos bens básicos", disse o presidente chileno.

Além disso, Piñera anunciou a entrada em vigor de um plano que será financiado por meio da criação de um fundo de reconstrução e desenvolvimento.

Este programa, que será aprovado nos próximos dias, será financiado após cortes no gasto público e o uso de parte dos US$ 25,87 bilhões que o Chile tem em reservas internacionais.

Também estão previstos empréstimos nos mercados internacionais, dado que o nível de dívida externa do Chile é muito baixo, "ao contrário de alguns países europeus", comentou Piñera.

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