Temor sobre catástrofe aumenta, e Obama anuncia visita ao Golfo do México

Washington, 1 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitará no domingo a área do Golfo do México atingida pelo vazamento de petróleo, que segue crescente e fora de controle, pondo em perigo um dos ecossistemas mais ricos do país.

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Washington, 1 mai (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, visitará no domingo a área do Golfo do México atingida pelo vazamento de petróleo, que segue crescente e fora de controle, pondo em perigo um dos ecossistemas mais ricos do país. A visita de Obama, anunciada hoje, será no momento em que aumentam os alertas sobre a real magnitude do desastre, que periga se transformar na maior catástrofe ecológica da história do país e já colocou em situação de emergência Louisiana, Flórida e Alabama. Com a visita, Obama pretende acompanhar de perto o desastre e apoiar o dispositivo armado para tentar conter a gigantesca mancha de petróleo que se estende pela costa da Louisiana. A mancha, com uma superfície de quase 10 mil quilômetros quadrados (quase o tamanho da ilha de Porto Rico), já começou a prejudicar aves. A Casa Branca quer evitar que a catástrofe ambiental não tenha as mesmas consequências políticas do furacão "Katrina", que há cinco anos renderam duras críticas ao então presidente, George W. Bush, pela má gestão da crise. O Governo se mobilizou e vários funcionários visitaram as áreas atingidas para saber de perto o estado do desastre. Na sexta-feira, estiveram na Louisiana a secretária de Segurança Nacional, Janet Napolitano, e o ministro do Interior, Ken Salazar. Além disso, Obama decidiu fechar duas plataformas petrolíferas localizadas perto da zona do desastre e evacuar uma delas, como medida de precaução enquanto prosseguem as tarefas de limpeza. A Casa Branca informou que o presidente irá amanhã para a Louisiana, numa visita breve para não tirar o foco dos trabalhos de contenção e retirada do petróleo. A British Petroleum (BP), concessionária da plataforma petrolífera que explodiu em 20 de abril e afundou dois dias depois, recebeu duras críticas do Governo por sua incapacidade em vedar o poço que, segundo estimativas oficiais e da própria empresa, derrama cerca de 800 mil litros de petróleo no mar por dia. Ontem, o diretor da BP Doug Suttles reconheceu, em entrevista coletiva na Louisiana, que a estimativa da quantidade de petróleo derramado é "altamente imprecisa". Alguns especialistas consideram que a projeção é extremamente baixa e calculam que a quantidade despejada pode ser cinco vezes maior, ou seja, 4 milhões de litros de petróleo diários. Vários veículos de comunicação americanos, entre eles o "Wall Street Journal", publicam hoje um estudo de Ian MacDonald, professor de oceanografia da Universidade da Flórida, que é especializado no acompanhamento da retirada de petróleo em alto-mar utilizando imagens por satélite. Os resultados do estudo do especialista desenham um panorama muito pior que o elaborado pela própria BP e pelo Governo, que estimam que o poço que permanece aberto a 1.500 metros de profundidade no Golfo do México está derramando a cada dia 800 mil litros de petróleo. O número ainda está abaixo da catástrofe protagonizada em março de 1989 pela embarcação americana "Exxon Valdez", que bateu contra um recife no Alasca e jogou na água 42 milhões de litros de petróleo. A maré negra afetou 6 mil quilômetros quadrados e deu lugar ao maior desastre ecológico da história dos EUA. O Departamento do Interior calcula que podem ser necessários 90 dias para vedar o poço petrolífero. Caso a previsão seja cumprida, ficariam flutuando no mar 360 milhões de litros de petróleo, quase nove vezes mais que o que foi derramado pelo "Exxon Valdez". O dispositivo iniciado pelo Governo para conter o desastre mobilizou por enquanto duas mil pessoas e 75 navios, encarregados de tentar retirar o petróleo da superfície e da aplicação de produtos para dissolvê-lo. No entanto, a complicada situação meteorológica de hoje, com fortes ventos e maré alta, está dificultando as tarefas, e muitos navios tiveram que ficar parados. Em paralelo, equipes de voluntários e pessoal especializado rastreiam a costa na busca de animais atingidos pelo petróleo. EFE pgp/rr

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