Pixies começa show no piloto automático, mas esquenta no final

Baixista Kim Deal quebrou a frieza do show, e banda presenteou público com um bis inesquecível

Augusto Gomes, iG São Paulo |

Que o Pixies é uma das maiores bandas da história do rock, não há muita discussão. Formado no final dos anos 1980, o grupo lançou apenas quatro álbuns, entre 1988 e 1991, e acabou logo depois. Mas foi o bastante para influenciar praticamente todo o rock produzido depois, de Nirvana a Radiohead. O que o quarteto - Frank Black (vocal e guitarra), Kim Deal (baixo e vocal), Joey Santiago (guitarra) e David Lovering (bateria) - mostrou nesta segunda no SWU foi um pouco dessa história.

A apresentação, é verdade, começou um pouco fria, como se os quatro estivessem no piloto automático. O repertório era impecável - basicamente canções dos dois primeiros discos do grupo, "Surfer Rosa" (1988) e "Doolittle" (1989) -, mas faltava algo para o show pegar fogo. Canções como "Debaser", "Wave of Mutilation", "Gouge Away" e "Here Comes Your Man" quase conseguiram. O público estava pronto para ser incendiado, só precisava de uma ajuda da banda. Foi quando Kim Deal entrou em ação.

Enquanto o vocalista Frank Black praticamente não se comunica com a plateia (toca até de óculos escuros), Kim é seu oposto: não para de sorrir um minuto, e é a responsável pelos "obrigados" e "boa noites" de praxe. Foi ela que, aos poucos, foi descontraindo seus colegas. E então, música por música, o show foi ficando mais vivo, menos protocolar. Em "Velouria", "Dig for Fire" e "Alison" (três canções do disco "Bossanova"), o clima já era outro no palco.

Após 21 canções, o show terminou (ou deveria terminar). Os quatro foram para a boca do palco, para agradecer ao público de perto. O sisudo Frank Black foi o que mais se aproximou. Diante dos pedidos de bis, sinalizou que o tempo havia acabado. Se isso era teatro ou não, jamais saberemos. O fato é que eles voltaram para mais três canções: "Planet of Sound", "Where Is My Mind" e "Gigantic".

A última, cantada por Kim, foi o grande momento do show. Ela interrompeu a música no meio, para desejar boa noite a seus três companheiros de banda. Com isso, conseguiu fazer com que Frank Black não apenas falasse, como sorrisse e tirasse os óculos escuros. E aí, no final da performance, eles mostraram que estavam se divertindo de verdade, e isso deu toda uma força para aquelas últimas músicas. Sorte do público.

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