Os Mutantes homenageiam o velho "Cabeludo Patriota"

Banda liderada pelo veterano Sérgio Dias se apresenta no palco principal do SWU

Pedro Alexandre Sanches, repórter especial iG Cultura |

"Vamos tocar uma ou duas do disco novo", avisa Sérgio Dias, dos Mutantes, antes de começar "Querida Querida", dele e de Tom Zé. A música integra o mais recente disco do mítico grupo de rock brasileiro que antigamente tinha também entre seus integrantes Arnaldo Baptista (irmão de Sérgio) e Rita Lee. A grávida Bia Mendes se encarrega dos vocais, que nesse rock fazem lembrar de longe um tema da chamada vanguarda paulista dos anos 80, na voz aguda de uma Tetê Espíndola (quase) heavy metal.

A segunda canção nova não acontece. Após "Querida Querida", Sérgio ataca, com a expressãoo terna de sempre, o clássico "El Justiciero" (1971), de quando a alma dos Mutantes era a soma entre ele, Rita e Arnaldo. Nesse compasso se desenvolve quase todo o show do grupo no SWU. Recapitulados com amor e competência, passam pelo palco a psicodélica "Tecnicolor" (1971), a tropicalista "Baby" (1968), o samba-rock "A Minha Menina" (1968), o clássico pop "Balada do Louco" (1972). "Esse cara tem história", vibra um jovem espectador, sem muito diferenciar Sérgio, Arnaldo ou quem quer que fosse, enquanto o público entoa em coro a "Balada do Louco".

O show se desenrola bem, especialmente porque as mudanças nos arranjos são suficientes para introduzir novidade, mas sem chegar a desfigurar os originais. Ao final, Sérgio puxa uma versão pesada da pesada "A Hora e a Vez do Cabelo Nascer" (1972), que, antes de ter a letra proibida pela Censura da ditadura militar, se chamava "Cabeludo Patriota". Roupas psicodélicas e as referências a cabeleiras hippies trazem um tanto de nostalgia, não só dos velhos Mutantes como do espírito de 1968, Woodstock, "caminhando contra o vento" e cercanias.

A atmosfera do SWU, entretanto, é em tudo diferente da dos heróicos anos tropicalistas e da fundação do rock realmente brasileiro (e não apenas imitador dos rocks alheios). Mesmo com uma eleição presidencial pegando fogo ali fora, fala-se pouco de política aqui dentro da arena ecocapitalista. Quando Sérgio canta, na ex-"Cabeludo Patriota", que "o meu cabelo é verde-amarelo, violeta e transparente/ a minha caspa é de purpurina/ minha barba azul anil", o eco não é muito maior que aquele causado pelos riffs incandescentes de qualquer guitarra metaleira.

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