Em São Paulo, Kings of Leon está cansado do sucesso

Banda norte-americana se apresenta no domingo no festival SWU, com disco novo saindo

Marco Tomazzoni, iG São Paulo |

AE
Kings of Leon no Brasil: "Fazemos álbuns e esperamos que as pessoas gostem, mas às vezes toca demais"
O Kings of Leon parece meio cansado do sucesso. Uma das principais atrações no próximo domingo (10) do festival SWU, no interior de São Paulo, os integrantes da banda norte-americana participaram de uma coletiva de imprensa num luxuoso hotel da capital paulista cercados por um aparato digno de superstars. Seguranças estrangeiros, muitos flashes e, nas mãos, cerveja e taças de champagne. "Bêbado em São Paulo", tuitou há pouco o baterista Nathan Followill. O álbum “Only by the Night” (2008), o quarto lançado pelo quarteto, explodiu nas paradas, vendeu 6,2 milhões de cópias e fez o grupo estampar capas e capas de revista. Eles não têm tanta expectativa assim para “Come Around Sundown”, que tem lançamento previsto para o dia 15 de outubro (apesar de já poder ser encontrado na internet).

“Não queremos repetir nada, nem sabotar o disco para não fazer sucesso”, afirmou o vocalista e líder da família, Caleb – o quarteto é completado por seus irmãos, Nathan (bateria) e Jared (baixo), e pelo primo, Matt (guitarra). A questão é que o Kings of Leon foi malhado por muita gente por ter mostrado uma guinada pop em “Only by the Night”, algo que, garantem, não foi intencional. “Fazemos aquilo que nos sentimos inspirados em cada época”, completou Nathan.

Hits recentes como “Sex on Fire” – que só entrou no disco, segundo eles, por insistência da gravadora – e “Use Somebody” acabaram se tornando um peso. “Fazemos álbuns e esperamos que as pessoas gostem, mas às vezes toca demais. E por que gostam demais, ficamos com medo de que não gostem do que fizermos depois”, explicou Caleb. Além da pressão, há também a inveja e a torcida para que alguma coisa dê errado.

“As pessoas querem que cometamos erros e tiram as coisas que falamos de contexto. Mas ter nossos fãs e gente que admiramos, como Pearl Jam, U2 e Bob Dylan, dizendo que gostam da nossa música, isso é incrível. Tem gente que nos odeia, mas estamos aqui no Brasil tomando cerveja, champagne, tirando fotos e dando entrevistas. Eles que se danem.”

Futura Press
Parte do grupo durante a coletiva de imprensa
Para “Come Around Sundown”, gravado em Nova York, a banda tentou ignorar a pressão e escreveu músicas sobre “brigas, bebida, amor e campo”. O vocalista disse ter se sentido um pouco inseguro ao ouvir o resultado pela primeira vez. Com o passar do tempo, porém, agora já consegue afirmar que é o melhor trabalho do grupo.

“Esse vai crescendo aos poucos, não é como o outro, que de cara dá para ouvir e dizer que é um hit. É como aconteceu com ‘Marquee Moon’ [álbum de 1977 do grupo Television]. Quando escutei pela primeira vez, não achei tudo isso, mas quando ouço hoje, percebo que é um dos melhores discos de todos os tempos. Espero que com o nosso seja a mesma coisa.”

Demonstrando sinceridade surpreendente, a banda também revelou que detesta fazer videoclipes. A não ser uma ou duas exceções – como “Molly’s Chambers”, do disco de estreia –, nunca ficaram satisfeitos. “Raramente funciona”, lamentou Caleb. “Você dedica toda sua energia para compor uma música, seu bebê, e chega alguém que quer dar um rosto para ele. É muito estranho. Vai chegar um momento em que só vamos lançar os clipes que acharmos bons. Começando agora.”

Além dos sucessos, quatro ou cinco músicas novas devem entrar no set list do show em Itu, “as que estiverem prontas”, explicaram. Da primeira passagem pelo Brasil, em 2005, no Tim Festival, lembram de alguns flashes. “Adoramos aquele show e sempre quisemos voltar. Plateia vibrante, garotas bonitas... Yeah”, disse Matt, econômico. “Lembro do público gritar o tempo todo ‘I love Strokes’”, completou Caleb, brincalhão, se referindo à banda que encerrou a noite. Ainda no Twitter, Nathan concluiu: "vai ser uma festa no domingo."

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