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Combate às mudanças climáticas deve se beneficiar da crise, diz autor do Relatório Stern

04/11 - 08:30 - Conrado Loiola

Em palestra realizada nesta segunda-feira (3), em São Paulo, o economista inglês Nicholas Stern, consultor do governo britânico para mudanças climáticas, defendeu que a atual crise financeira é uma boa oportunidade para a sustentabilidade, ao menos na questão do combate ao aquecimento global. A idéia foi apresentada no workshop “Avaliação do Relatório Stern”, evento organizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP).

Segundo Stern, o momento atual deve estimular investimentos de retorno a longo prazo, como projetos estruturais e programas ligados à redução das emissões de gás carbônico (CO2), além de pesquisas em aumento de eficiência energética. A geração de empregos na “economia de baixo carbono”, com alto potencial de crescimento, também seria outro dos benefícios trazidos pela crise.

Stern, autor do relatório que leva o seu nome, defendeu ainda que o aquecimento global será, nas próximas décadas, o maior obstáculo ao crescimento econômico global. Mas o consultor acredita que uma ação conjunta entre todos os governos do mundo dê conta de contornar o problema. “Acredito que seja possível estabilizar as emissões, desde que os países compartilhem da mesma visão sobre o tema. A linguagem a ser adotada é a da colaboração”, disse. Para ele, os planos de controle de emissões de CO2 devem se integrar à perspectiva de desenvolvimento. “Nenhum acordo de combate às mudanças climáticas que paralise o desenvolvimento irá funcionar”.

Com relação aos anúncios recentes de que o bloco Europeu estaria revendo suas metas e adiando seus planos ambientais, Stern mantém a confiança. Segundo ele, no continente existem vários países e líderes conscientes da gravidade do tema e que dariam continuidade ao combate às mudanças climáticas, como o presidente francês Nicolas Sarkozy, além de Tony Blair e Gordon Brown, ex e atual primeiros ministros britânicos, respectivamente.

Também estiveram presentes no workshop, como debatedores, Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, Jacques Marcovitch, coordenador do estudo Economia do Clima, José Goldemberg, coordenador da Comissão Especial de Bioenergia do Estado de São Paulo, e Carlos Nobre, coordenador do Programa FAPESP de Pesquisa em Mudanças Climáticas Globais.

Lançado em 2006, o Relatório Stern ficou conhecido por incluir as mudanças climáticas no rol das externalidades econômicas. O estudo foi encomendado em 2005 por Gordon Brown, que, à época, era ministro das finanças da Grã-Bretanha.

O documento apontava a necessidade imediata de um investimento anual de 1% do PIB mundial para o controle das emissões globais. Segundo Stern, essa quantia bastaria para estabilizar o CO2 na atmosfera em 500 a 550 ppm (partes por milhão, medida de concentração de gases) até 2050. Acima dessa concentração – que já implica na possibilidade de aumento de 2º C na temperatura média global - a condição de vida no planeta seria inviável.

Stern dizia que um investimento dessa magnitude é necessário para evitar o prejuízo de até 20% ao ano no PIB global. O autor do estudo, no entanto, atualizou recentemente o volume de investimentos para 2% do PIB, por considerar que o agravamento do aquecimento global esteja caminhando mais rápido que o previsto inicialmente.

Com a colaboração de Anna Mey Doo Marmo, consultora da Visão Sustentável.








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