Suspeitos de fraudar licitações em SP são soltos

Já foram soltas as 15 pessoas presas entre quinta-feira e ontem, na operação "Cartas Marcadas". Todas são suspeitas de participação num esquema de fraudes em processos licitatórios envolvendo funcionários da prefeitura de Bebedouro (SP) e empresários da construção civil.

iG São Paulo |

Já foram soltas as 15 pessoas presas entre quinta-feira e ontem, na operação "Cartas Marcadas". Todas são suspeitas de participação num esquema de fraudes em processos licitatórios envolvendo funcionários da prefeitura de Bebedouro (SP) e empresários da construção civil. Um empresário, que se apresentou ontem também foi liberado hoje, após colaborar com a Justiça. Segundo o delegado seccional José Eduardo Vasconcelos, "só os quatro agentes públicos não prestaram declarações e disseram que só falarão em juízo". O depoimento mais completo e importante foi de um empresário, que detalhou como funcionava o esquema fraudulento.

O caso é investigado como fraude em processo licitatório e formação de quadrilha ou bando. Vasconcelos disse que, devido aos depoimentos e confissões, novas frentes de investigação deverão surgir. Além da construção civil, outros dois segmentos, não revelados, deverão ter as licitações investigadas em outros inquéritos, o que deverá investigar servidores, empresários e agentes políticos.

Por enquanto, o prefeito João Batista Bianchini (PV), o Italiano, não foi acusado de participação. Mas, após a ação da Polícia Civil e do Ministério Público Estadual (MPE), a Câmara abriu duas Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs) para apurar as denúncias. Uma das CPIs apura as fraudes em licitações e possível envolvimento do prefeito e a outra investiga irregularidades na aplicação de recursos do Departamento de Desenvolvimento Econômico, que tem o vice-prefeito João Gustavo Spido (sem partido) como diretor. Cada uma terá 90 dias para concluir os trabalhos.

Fraudes

Em nota do MPE, o promotor Leonardo Romanelli informou que os depoimentos comprovam as fraudes em licitações, que teriam começado no início de 2009. Num dos casos, Gelson Ginetti, sem atuação na construção civil, criou empresa Construtora Barbosa, no nome da mãe, e venceu concorrências para três obras, com valores entre R$ 32 mil e R$ 149 mil (carta-convite). Ginetti é diretor de Planejamento e preside a Comissão de Licitações da prefeitura desde 2009.

Dorival Hernandes Júnior constituiu a DLR e ganhou outra licitação. Os resultados das concorrências eram combinados. Houve um caso em que uma empresa (RDA) fez a obra vencida por outra (HV) e ambas dividiram o lucro. A LMA, de Catanduva, executou asfaltamento antes de firmar contrato com o município. O MPE recomendou à prefeitura a suspensão de quaisquer licitações ou pagamentos envolvendo as empresas investigadas.

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