Stalin protagoniza guerra simbólica na Rússia

Ignacio Ortega. Moscou, 8 mai (EFE).

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Ignacio Ortega. Moscou, 8 mai (EFE).- Os russos se enredaram em uma guerra de símbolos cujo principal protagonista é Stalin e seu polêmico papel na vitória sobre Hitler às vésperas do 65º aniversário do fim da Segunda Guerra Mundial. "Nós russos somos extremistas. Para uns Stalin é um Deus, para outros um carrasco. Não há meio termo", explicou Serguei Dorenko, popular jornalista e apresentador de rádio, membro do Partido Comunista Russo (PCR), à Agência Efe. Diversas cidades russas se preparam para comemorar em grande estilo o 9 de maio, Dia da Vitória do Exército Vermelho sobre a Alemanha nazista na Grande Guerra Pátria (1941-1945), episódio soviético da Segunda Guerra Mundial. O Dia da Vitória é a única festividade local que alcança os cidadãos de todas as classes, ideologias e condições sociais que deixam de lado suas diferenças para fazer um tributo aos 26,6 milhões de russos que morreram na guerra contra o fascismo. No entanto, este ano a figura do ditador soviético Josef Stalin acabou colada nas festividades por acaso, devido à insistência de alguns setores de pendurar seus retratos pelas ruas. "Um 9 de maio sem Stalin é simplesmente ridículo. A história da vitória tem muitas caras e sem lembrar Stalin dificilmente será completa", afirmou Ivan Mélnikov, número dois dos comunistas e vice-presidente da Duma (Câmara dos Deputados). O prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, anunciou há alguns meses que apareceriam cartazes com retratos do ditador, conhecido como "pai dos povos", na capital por causa do Dia da Vitória, iniciativa muito criticada pelos liberais e defensores de direitos humanos que ameaçaram arrancá-los. Eles lembram que Stalin conseguiu que a União Soviética fosse mantida à margem da disputa mundial por causa do polêmico tratado de não agressão soviético-alemão Mólotov-Ribbentrop (1939), em que repartiu a Europa Oriental com Hitler. Os liberais também criticam Stalin por não pensar no futuro, debilitar o Exército com expurgos frequentes e não reagir à ameaça crescente hitleriana até que as tropas alemãs invadiram o território soviético no dia 22 de junho de 1941. "Stalin tem que existir. Não podemos deixar uma das três cadeiras da conferência de Yalta, onde Stalin se sentou junto a Roosevelt e Churchill, vazia. Ao mesmo tempo, para milhões de russos, apenas a menção do seu nome causa dor", acrescentou Dorenko. "Não somos como os chineses. Nós russos somos muito temperamentais. Não podemos julgar Stalin com porcentagens como eles fizeram com Mao. Uma média de 70% bom, 30% mau", disse. Às vésperas das festividades, Luzhkov foi criticado pelo partido do Kremlin, Rússia Unida, e pelo presidente da Duma, Boris Grizlov. "Luzhkov não é um historiador, mas o prefeito da cidade. A avaliação política de Stalin nunca pode ser positiva", disse. Por isso, os veteranos e nostálgicos que queiram render memórias à figura de Stalin em sua faceta militar terão que fazer isso nos museus. Segundo a pesquisa do Centro Levada, a maioria dos russos (51%) é contrária à presença de cartazes de Stalin nas ruas das cidades e só uma minoria (12%) apóia a iniciativa. O Kremlin se manteve a margem da polêmica, embora nas últimas semanas tanto o presidente russo, Dmitri Medvedev, como o primeiro-ministro, Vladimir Putin, criticaram publicamente as repressões, deportações e massacres stalinistas, como o de milhares de oficiais poloneses em Katyn. Os comunistas não se rendem e antecipam que levarão retratos de Stalin e do fundador do Estado soviético, Lenin, durante o Dia da Vitória em Moscou e pendurarão cartazes em São Petersburgo. Em Vladivostok, capital do Extremo Oriente russo, as autoridades locais não ignoraram os pedidos dos veteranos e pendurarão cartazes de Stalin para o 9 de maio. Os nostálgicos da URSS também insistem em devolver a Volgogrado, cidade que foi palco de uma das batalhas mais importantes da Segunda Guerra Mundial, o nome de Stalingrado, apesar de 59% dos russos serem contra a idéia, segundo Levada. EFE io/pb

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