Tucano afirma que PT quer construir mito ao redor de Dilma e não expô-la. Ele comparou presidente iraniano, Ahmadinejad, a Hitler

Em discurso a integrantes dos clubes militares, no Rio, o candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, afirmou que o presidente Lula quer continuar comandando o país, de fora do poder, durante a eventual gestão de Dilma Rousseff. O evento foi fechado à imprensa, a pedido da campanha de Serra, mas o iG assistiu à palestra.

“Temos um presidente popular que se determina a construir a sucessão em uma perspectiva irrealista, de que pode continuar comandando o país, mesmo à margem do cargo. Os senhores são militares e sabem que isso é impossível. Não se governa um país na garupa”, disse.

Serra comparou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao nazista Adolf Hitler, em palestra a integrantes dos clubes militares
Agência Estado
Serra comparou o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, ao nazista Adolf Hitler, em palestra a integrantes dos clubes militares
Para Serra, o plano do PT é esconder Dilma na campanha. “Toda a estratégia eleitoral consiste em criar um mito, sem expô-la [Dilma], sem que se saiba o que pensa. O simples fato de não naufragar em um debate é comemorado. O problema não é falta de coragem, mas dificuldade de explicar o que pensa.”

Falando sobre aspectos que criticou na política econômica do governo – segundo ele, de crescimento inferior ao da média da América Latina, altos juros e supervalorização do real – Serra reclamou da dificuldade de desconstruir a imagem positiva da gestão Lula, segundo ele, por causa da forte propaganda. “Se vê a propaganda e não sei de que mundo está falando.”

Ele afirmou que o país está se “desindustrializando”. “O Brasil está se ‘desindustrializando’. “O peso da indústria no PIB [Produto Interno Bruto] em 1980 era 44%, e em 2009 caiu para 26%. Caiu quase 20 pontos percentuais. A participação da indústria está nesse caminho”, disse. “É um processo de desindustrialização, por causas várias: a taxa de juros mais alta do mundo, sobrevalorização cambial – o dólar excessivamente barato. O Brasil tem de decidir se vai voltar ao modelo para fora, de ‘commodities’, ou se terá desenvolvimento industrial.”

Candidato do PSDB compara Ahmadinejad a Hitler

O tucano criticou a política exterior do governo atual, referindo-se ao apoio de Lula aos presidentes do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, da Venezuela, Hugo Chávez, e da Bolívia, Evo Morales. Serra comparou Ahmadinejad ao líder nazista Adolf Hitler.

“É chocante ver o Brasil ao lado daquele [Ahmadinejad] que pode ser visto como o Hitler dos tempos modernos. Uma ditadura que tortura, mata, pune jornalista com 16 anos de prisão, em que mulher é apedrejada e que enforca opositores. A mesma coisa na América Latina. Há omissões, em outra escala. Há omissões em questões de direitos humanos, um país democrático tem de respeitar a autodeterminação, mas é preciso se manifestar em questões de direitos humanos. Para não dizer a Bolívia, em espécie de cumplicidade ao contrabando de drogas para o Brasil.”

Falando a militares disse que quis ser militar quando adolescente, mas sua mãe não deixou, e que tem “vários pontos de coincidência” com as Forças Armadas, como “a defesa à democracia, o interesse nacional, o desenvolvimento e o patriotismo”. Serra foi exilado por 14 anos durante o regime militar, por sua atuação como presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes).

Serra afirmou que não mexerá no atual sistema de aposentadoria militar, caso seja eleito. “Não é minha idéia mexer no sistema de aposentadoria militar, porque os militares têm peculiaridades, não têm residência fixa”, disse, sendo aplaudido.

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