Serra diz que há contradição na lei eleitoral

Enquanto os departamentos jurídicos de partidos aliados ao PSDB e do PT tentam acusar um ao outro de antecipar a campanha eleitoral, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, ex-governador de São Paulo José Serra, afirmou hoje em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que há contradição na lei eleitoral, que manda desincompatibilizar-se do cargo em 1º de abril, mas marca a campanha formal somente para junho, o que acaba provocando transgressões. No entanto, acusou os adversários de transgredirem a lei.

iG São Paulo |

Enquanto os departamentos jurídicos de partidos aliados ao PSDB e do PT tentam acusar um ao outro de antecipar a campanha eleitoral, o pré-candidato do PSDB à Presidência da República, ex-governador de São Paulo José Serra, afirmou hoje em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, que há contradição na lei eleitoral, que manda desincompatibilizar-se do cargo em 1º de abril, mas marca a campanha formal somente para junho, o que acaba provocando transgressões.

No entanto, acusou os adversários de transgredirem a lei."Eu não vou entrar nessa polêmica, mas não há essa igualdade entre ambos os lados em matéria de transgressão", alertou, logo após participar de almoço com cerca de 200 políticos, empresários e integrantes de associações comunitárias. "Seria injusto dizer, no atacado, que estamos fazendo o mesmo tipo de coisa", ponderou.

Confrontado com a acusação de que um evento de evangélicos em que discursou no dia 1º de maio teve ajuda financeira do governo de Santa Catarina e da Prefeitura de Camboriú, administrados por correligionários dele, o pré-candidato disse que "não tinha ideia" sobre isso. "Não houve nenhum uso...tinha lá gente do PT no palco, tinha todo mundo", afirmou. "E eu não disse nada a respeito de eleição diretamente."

No discurso, Serra disse que às vezes as pessoas ficam surpresas quando ele considera positiva alguma atitude do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu nunca joguei no quanto pior melhor", salientou. Mas afirmou que questão diferente seria considerar que o Brasil está "pronto". "Não houve os avanços que a gente precisa", afirmou.

"Não é obra de um homem, de um partido. Pelo contrário, o partido que não homologou a Constituição, foi contra o Plano Real, foi contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, foi contra o Fundef, acabou tirando proveito de tudo isso, inclusive do clima de liberdade", disse.

"Convenhamos que o Brasil ter um presidente de origem operária é uma coisa fenomenal para a história do Brasil e até do mundo, mas isso graças às conquistas que aconteceram antes."

O maior número de aplausos aconteceu quando o pré-candidato criticou o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). "O MST não é um movimento social", repetiu. "Defendo até a morte o direito de serem radicais, o que não gosto muito é de disfarçar a militância política com a questão social."

Economia

Serra disse também que enfrentará os problemas econômicos do País com "muito tesão". Segundo ele, o que foi feito até agora dá ao Brasil "boas condições" de garantir o crescimento para o futuro. Mas apontou alguns problemas que ainda persistem. Entre eles, o superávit comercial em declínio, enquanto o Brasil precisa de investimentos do exterior.

Para Serra, a questão da infraestrutura precisa de solução urgente. Ele ponderou que a União faz poucos investimentos, deixando 70% deles para Estados e municípios. Antes, ele já havia feito críticas em relação ao tratamento dado pelo governo federal à saúde, segurança e educação.

"Vão me perguntar: você está pessimista? Não. Eu acho sinceramente que dá pra gente enfrentar. Se couber a mim, você pode estar certo que vamos enfrentar e manter o bom desempenho econômico, mas exige conhecimento, cuidados e muito tesão, muita vontade de consertar essa situação", afirmou.

    Leia tudo sobre: iG

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG