Urânio de armas nucleares descartadas produz 10% da eletricidade dos EUA

Programa Megatons to Megawatts garantiu a compra por Washington de 500 toneladas de urânio enriquecido da Rússia para a produção de energia

Luísa Pécora, iG São Paulo |

O principal componente das ogivas nucleares que durante a Guerra Fria (1947-1991) representaram ameaça aos Estados Unidos atualmente oferece eletricidade para milhares de pessoas. O urânio enriquecido proveniente das armas descartadas pela Rússia e EUA é responsável por 10% da energia elétrica consumida pelos americanos.

O papel do urânio na produção energética dos EUA cresceu em paralelo ao fortalecimento das negociações com a Rússia, desde o colapso da ex-União Soviética (URSS) em 1991, para a redução de seus arsenais nucleares. Na década de 1980, EUA e a ex-URSS possuíam, em conjunto, pelo menos 66 mil armas atômicas - número que atualmente caiu para 22 mil e inclui armas ativas, táticas, em estoque, mísseis e bombas.

Com o descarte, o núcleo de cada arma nuclear, composto por urânio ou plutônio enriquecido, passou a ser utilizado para produzir energia como parte de um programa conhecido como "Megatons to Megawatts". "Os dois lados ainda armazenam milhares desses núcleos, mas também já desmontaram outros milhares", afirma Joseph Cirincione, presidente da Ploughshares Fund, fundação americana que apoia iniciativas pelo desarmamento.

© AP
Usina nuclear em Middletown, Pensilvânia, nos Estados Unidos

O uso do urânio para produzir combustível para reatores nucleares é mais comum. "O urânio altamente enriquecido pode ser misturado a um urânio mais pobre, moldado em uma barra de combustível e queimado em reatores para produzir eletricidade", explica Cirincione.

Com o plutônio é diferente, porque ele não pode ser diluído como o urânio, explica Ken Luongo, presidente da Parceria por Segurança Nacional, organização com sede em Washington que tem o objetivo de diminuir a ameaça das armas de destruição em massa. "Ou o plutônio é usado em um reator nuclear para ser irradiado e não poder ser usado em uma arma ou ele é enterrado em uma mistura radioativa", afirmou Luongo, que também é membro do Ploughshares Fund.

Segundo o Instituto de Energia Nuclear dos Estados Unidos, 45% do urânio enriquecido que alimenta os reatores nucleares americanos vem de bombas descartadas pela Rússia e 5% pelos próprios americanos. A prática, além de comercialmente importante, é uma tentativa de impedir que o material nuclear caia em mãos erradas.

De acordo com Cirincione, nas últimas duas décadas os EUA compraram cerca de 500 toneladas de urânio enriquecido da Rússia, por meio do "Megatons to Megawatts". "O componente é misturado e vendido às empresas de energia americanas, afirma.

Com colaboração de Leda Balbino, iG São Paulo

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