Presidente americano pede mais ações e menos discursos sobre a questão da segurança nuclear

O risco de uma guerra nuclear entre os países diminuiu, mas aumentou o de um ataque atômico por parte de grupos terroristas, advertiu nesta terça-feira o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, ao início da primeira sessão plenária da Cúpula de Segurança Nuclear, que ocorre em Washington.

"Duas décadas depois do fim da Guerra Fria, enfrentamos a cruel ironia da história. O risco de um confronto nuclear entre nações caiu, mas o risco de um ataque nuclear subiu", disse Obama.

"As redes terroristas como Al-Qaeda tentam adquirir o material para uma arma nuclear e, se vierem a conseguir, com certeza o utilizarão. Se chegarem a fazê-lo, será uma catástrofe para o mundo, causando uma extraordinária quantidade de perdas de vidas e aplicando um duro golpe à paz e à estabilidade global", afirmou o presidente dos EUA.

Em seu discurso inaugural, o chefe da Casa Branca pediu um minuto de silêncio em memória das vítimas do acidente aéreo no qual morreu o presidente polonês, Lech Kaczynski.

O presidente americano também pediu que se atue mais e se fale menos sobre a questão de segurança nuclear. "Hoje é uma oportunidade, não apenas de falar, e sim de agir. Não apenas de fazer promessas, e sim verdadeiros progressos para a segurança de nosso povo", afirmou.

Representantes de 47 países participam de reunião sobre segurança nuclear, em Washington
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Representantes de 47 países participam de reunião sobre segurança nuclear, em Washington

A Cúpula de Segurança Nuclear em Washington marca o ápice de uma semana frenética de diplomacia nuclear de Obama e acontece um ano depois de ele ter apresentado ao mundo uma visão de um mundo livre de armas atômicas. Segundo Obama, a próxima cúpula sobre segurança nuclear acontecerá em dois anos, na Coreia do Sul.

O encontro em Washington, capital dos EUA, acontece pouco depois de Obama ter apresentado uma revisão da doutrina nuclear dos EUA, limitando o uso de armas atômicas, e após a assinatura de um importante tratado pós-Guerra Fria com a Rússia, pelo qual EUA e Rússia se comprometeram a reduzir seus arsenais nucleares em um terço.

Os críticos conservadores de Obama dentro dos EUA dizem que sua estratégia de controle de armas é ingênua e pode comprometer a segurança nacional do país.

Apesar disso, a cúpula de dois dias - a maior assembleia de líderes mundiais promovida nos EUA em seis décadas - é um teste da capacidade de Obama de incentivar ação global em torno de sua agenda nuclear.

* Com EFE e Reuters

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