Perto de dominar ciclo nuclear, Brasil é pressionado a adotar protocolo adicional de tratado

No ano em que País chegará à terceira fase de utilização de seu potencial atômico, sofre pressão dos EUA para permitir maior fiscalização de suas instalações nucleares

Severino Motta, iG Brasília |

Com previsão de iniciar em julho os testes para produção de gás de urânio enriquecido, o Brasil está próximo de dominar o ciclo nuclear. Justamente nesse momento, o País sofre pressão americana para assinar um protocolo adicional ao Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP), o que permitiria inspeções mais precisas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).

Detentor de um sistema exclusivo para o enriquecimento de urânio, o Brasil tem se negado a assinar o protocolo. O governo entende que a legislação brasileira é diferenciada, uma vez que até mesmo a Constituição proíbe o uso da energia atômica para a construção de armas.

Além disso, tem na memória uma inspeção da AIEA ocorrida no início da década, quando um dos inspetores tentou olhar por baixo do tapume que protegia as centrífugas nucleares brasileiras da espionagem industrial.

A assinatura do protocolo adicional é uma das frentes da batalha que deve ser travada entre o Brasil e os Estados Unidos na próxima semana durante a Cúpula Nuclear de Washington, que começa nesta segunda-feira, e no mês que vem, na reunião da ONU que pretende atualizar o TNP, do qual o Brasil é signatário desde 1998.

A outra frente diz respeito ao direito do Irã ter seu programa nuclear. Ao contrário do Brasil, os Estados Unidos acreditam que o presidente Mahmoud Ahmadinejad pretende usá-lo para construir armas de destruição em massa.

A Cúpula de Washington, nesse contexto, acabará servindo como um teste para a diplomacia brasileira, que terá de marcar posições definitivas em maio no evento da ONU.

Programa Brasileiro

Iniciado nos anos de 1950, o Brasil chegará em 2010 à terceira forma de utilização de seu potencial atômico. Além da geração de energia elétrica e utilização na indústria farmacêutica, o País, ao produzir o gás enriquecido de urânio, também disporá de alternativa para a Defesa Nacional, uma vez que ele será usado como combustível para submarinos nucleares.

O Programa Nuclear Brasileiro, que atualmente conta com as usinas de Angra 1, Angra 2 e Resende, no Rio de Janeiro, além de Aramar, no município de Iperó, em São Paulo, deve receber novos investimentos maciços nos próximos anos.

A intenção do governo é que em duas décadas o país tenha seis novas centrais de energia nuclear construídas, tornando-se também um vendedor de urânio enriquecido para ser usado como combustível.

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