Mundo está mais seguro após cúpula nuclear, diz Obama

Presidente americano anuncia que países concordaram em garantir a segurança de todo o material atômico do mundo

iG São Paulo |

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, encerrou a Cúpula Global sobre Segurança Nuclear dizendo que os americanos e o mundo estão mais seguros após o encontro, que reuniu 47 países em Washington.

"Essa noite, eu posso relatar que aproveitamos essa oportunidade e por causa dos passos que tomamos como nações individuais e como uma comunidade internacional, que os americanos terão mais segurança e que o mundo estará mais seguro", disse o presidente.

"Primeiramente, concordamos com a urgência e seriedade da ameaça. Declaramos hoje que o terrorismo nuclear é uma das maiores ameaças para a segurança internacional", afirmou, em seu pronunciamento final.

Obama confirmou que todos os países concordaram em garantir a segurança de todo o material atômico no mundo até 2014. O acordo já havia sido noticiado por agências de notícia. Na declaração final do encontro, os países prometem reforçar a proteção dos materiais nucleares que estão sob seu controle.

"Reconhecemos que, mesmo se cumprirmos com nossas responsabilidades, essa meta não pode ser alcançada por países que trabalhem em isolamento", disse. "Portanto, estamos comprometidos com um programa efetivo de cooperação e convidamos outras nações a se juntarem a nós", completou.

O documento final da cúpula diz que um objetivo-chave é "evitar que atores não-estatais obtenham a informação ou a tecnologia necessária para usar esses materiais", pois "o terrorismo nuclear é uma das maiores ameaças para a segurança internacional".

No texto, os 47 países reafirmam que os materiais nucleares são responsabilidade "fundamental" dos Estados e ressaltam que o urânio altamente enriquecido e o plutônio refinado em particular requerem medidas especiais de proteção.

Os países também apoiam a redução do uso de urânio altamente enriquecido sempre que seja "técnica e economicamente possível".

Em um aceno a alguns dos países em desenvolvimento que buscam lançar programas nucleares civis próprios, o texto afirma que "fortes procedimentos de segurança nuclear não infringirão os direitos dos Estados de desenvolver e utilizar a energia nuclear para fins pacíficos".

O comunicado reafirma o papel central da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), da Organização das Nações Unidas (ONU), e promete garantir que a agência tenha os recursos necessários para executar seu mandato.

Acordo com a Rússia

Em um ato paralelo à cúpula, nesta terça-feira Estados Unidos e Rússia assinaram um protocolo para se desfazer de pelo menos 34 toneladas do excedente do plutônio altamente refinado de seus respectivos programas de defesa, material suficiente para fabricar milhares de armas nucleares.

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Obama faz discurso no encerramento da cúpula nuclear em Washington

O protocolo, que emenda e atualiza o Acordo de Disposição de Plutônio de 2000, foi assinado pela secretária de Estado americana, Hillary Clinton, e o ministro de Assuntos Exteriores russo, Serguei Lavrov.

Segundo Lavrov, a Rússia deve gastar cerca de US$ 2,5 bilhões para suprimir o plutônio de seu programa de defesa.

O descarte da matéria-prima será inspecionado e monitorado por especialistas e tem o objetivo de garantir que os estoques não sejam utilizados para armas ou outros fins militares.

O mundo conta com reservas mundiais de urânio enriquecido e de plutônio - possíveis ingredientes de uma bomba atômica - de 1.600 toneladas e 500 toneladas respectivamente.

Urânio

Também nesta terça-feira, a Casa Branca anunciou que o México se comprometeu a eliminar seu estoque de urânio enriquecido. Em comunicado, o governo americano disse que o México trabalhará juntamente com EUA, Canadá e Agência Internacional de Energia Atômica para transformar seu urânio altamente enriquecido em combustível.

Na segunda-feira, primeiro dia da cúpula, a Ucrânia também se comprometeu a eliminar seu urânio enriquecido até 2012.

Segundo o porta-voz da Casa Branca, Obama considerou a decisão "um passo histórico e uma reafirmação da liderança da Ucrânia em segurança nuclear e não-proliferação".

Gibbs disse também que o anúncio representa uma importante vitória para os EUA, que tentava "há dez anos" conseguir que a Ucrânia se desfizesse desse material.

Sanções ao Irã

Apesar de não fazer parte da programação oficial da cúpula, a questão iraniana foi o principal assunto nos bastidores e nas reuniões bilaterais durante os dois dias do encontro.

Na segunda-feira, após uma reunião entre Obama e o presidente chinês, Hu Jintao, a Casa Branca chegou a afirmar que a China havia se comprometido em trabalhar conjuntamente com os Estados Unidos em uma resolução no Conselho de Segurança da ONU.

Nesta terça-feira, o Ministério do Exterior da China disse que o país não apoia sanções e continua defendendo o diálogo como melhor saída para a questão.

A China ainda é o único membro permanente do Conselho de Segurança da ONU que permanece reticente quanto à imposição de uma quarta rodada de sanções contra o Irã. Os outros quatro - Estados Unidos, Grã-Bretanha, França e Rússia - já manifestaram apoio à adoção de novas medidas.

Brasil e Turquia têm vagas rotativas no Conselho de Segurança e são contrários às sanções. O Líbano também tem se manifestado contra as medidas.

Apesar de esses países não terem poder de veto nas decisões do Conselho de Segurança, analistas afirmam que os Estados Unidos gostariam de obter apoio unânime para uma resolução, o que seria um sinal de que a comunidade internacional estaria unida em torno do tema.

Os Estados Unidos e outros países pressionam o Irã a interromper seu programa de enriquecimento de urânio por temor de que o país esteja planejando secretamente desenvolver armas nucleares.

O Irã nega essas alegações e se recusa a interromper seu programa, que diz ser pacífico e com o objetivo de gerar energia.

Diplomacia

A Cúpula sobre Segurança Nuclear marcou o ápice de uma semana frenética de diplomacia nuclear de Obama e aconteceu um ano depois de ele ter apresentado ao mundo uma visão de um mundo livre de armas atômicas.

O encontro em Washington, capital dos EUA, aconteceu pouco depois de Obama ter apresentado uma revisão da doutrina nuclear dos EUA, limitando o uso de armas atômicas, e após a assinatura de um importante tratado pós-Guerra Fria com a Rússia, pelo qual EUA e Rússia se comprometeram a reduzir seus arsenais nucleares em um terço.

Com AP, BBC e Reuters

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