Brasil resiste à aplicação de sanções contra o Irã

País, que ocupa cadeira provisória no Conselho de Segurança da ONU, vem sendo pressionado pelos EUA a mudar tom de sua relação com República Islâmica

Leandro Meireles Pinto, iG São Paulo |

Contrário às sanções ao Irã, o Brasil foi recriminado por se posicionar muitas vezes favorável ao país. Em novembro do último ano, o governo Lula recebeu críticas dos EUA e Israel por receber a visita do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, que nega a existência do Holocausto e prega a destruição de Israel. Em 15 de maio, Lula tem em sua agenda oficial uma visita marcada ao Irã.

No início de março, o tema Irã monopolizou a viagem da secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, ao Brasil. Na ocasião, a principal diplomata americana chegou a sugerir que o país vinha enganando o Brasil e outros países para evitar novas sanções. "O Irã vem recorrendo ao Brasil, Turquia, China - e para cada um conta uma história diferente -, com o objetivo de evitar sanções, mas achamos que elas são a melhor medida para evitar consequências no Oriente Médio e no mercado de petróleo", disse.

Para os EUA, a posição brasileira é importante pelo fato de o país ocupar, desde o início do ano, uma cadeira provisória no Conselho de Segurança da ONU. No órgão, composto por 15 membros, serão necessários nove votos para aprovar novas sanções.

O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, participou de uma audiência no Senado no último dia 6 deste mês e afirmou que o País "não é pró-Irã", apesar de ser contrário às sanções econômicas e em favor da continuidade das negociações diplomáticas.

"A tendência para um regime como o Irã com a alternativa das sanções é radicalizar, tornar-se mais rígido, juntar o que está separado, com a oposição e o governo ficando juntos numa posição de intransigência, até para o governo não demonstrar que capitulou", argumentou o ministro em audiência pública na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional do Senado.

Segundo o chanceler, no entanto, o sucesso das negociações depende também de uma maior "flexibilidade" de Teerã, afirmando que o governo brasileiro tem passado esse recado ao governo iraniano. "O Irã tem de demonstrar flexibilidade. Ele também não pode se isolar", disse Amorim.

Amorim disse também que o governo brasileiro acatará se o Conselho de Segurança da ONU decidir aplicar novas sanções contra o país persa. "Se houver sanções, mesmo que a gente não concorde com elas, isso vai afetar a cooperação econômica do Brasil com o Irã", disse Amorim.

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