Secretários de MT são indiciados por superfaturamento

Marchetti e De Vitto são acusados de participar de esquema que superfaturou licitação em R$ 44 milhões

Kelly Martins, iG Cuiabá |

Os ex-secretários estaduais de Infraestrutura (Sinfra) e Administração (SAD) de Mato Grosso Vilceu Marchetti e Geraldo De Vitto, respectivamente, foram indiciados no inquérito policial que apura o superfaturamento de R$ 44 milhões na compra de máquinas pelo Governo.

Ambos pertencem à gestão do então governador e senador eleito Blairo Maggi (PR), e seus nomes integram a lista dos 12 acusados de envolvimento na "farra das máquinas".

Um documento preliminar da Delegacia Fazendária e da Secretaria de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), do dia 18 de outubro, traz os nomes dos ex-secretários, do superintendente de Manutenção e Operação de Rodovias da Sinfra, Valter Antônio Sampaio, empresários e diretores de empresas fornecedoras das 705 máquinas para o Governo.

Na lista está o gerente da Auto Sueco, Otavio Conselvan; diretor do Grupo Mônaco, Rui Denardim; da Cuiabá Diesel, Rodnei Vicente Macedo; da TORK SUL Comércio de Peças e Máquina, José Renato Nucci; da DYMAK Máquinas e Rodoviárias LTDA, Valmir Amorim; e os empresários Silvio Scalabrin e Ricardo Lemos Fontes.

Todos são acusados por fraude em licitação, corrupção passiva e formação de quadrilha.

Marchetti e De Vitto deixaram as funções no auge do escândalo quando foram citados no relatório da Auditoria Geral do Estado (AGE) como os responsáveis pelas irregularidades detectadas nos pregões nº 87 e 88/2009.

O sobrepreço de R$ 44,4 milhões equivale a 22% pagos a mais pela aquisição das máquinas distribuídas aos 141 municípios mato-grossenses.

O ex-secretário Geraldo De Vitto nega ter sido indiciado no caso e garante que o seu nome não consta no relatório final encaminhado no último dia 12 pela Delegacia Fazendária ao Ministério Público Estadual.

A promotora Ana Cristina Bardusco terá o prazo de 15 dias para oferecimento de denúncia. Foi apurado ainda que o documento final traz o nome da chefe de gabinete da Sinfra, Suzi Gonçalina Queiroz de Almeida e outros dois empresários cujos nomes não foram revelados.

Como o processo corre sob sigilo, tanto os delegados fazendários responsáveis pela investigação como o secretário de Justiça e Segurança, Diógenes Curado, se recusam a prestar informações.

O relatório policial tem mais de 5 mil páginas e 46 pessoas já prestaram depoimento à polícia.

No decorrer das investigações, o empresário Pérsio Briante, da Extra Caminhões, um dos fornecedores de caminhões ao governo Maggi, por meio de delação premiada, contou detalhes dos bastidores do "escândalo das máquinas".

No depoimento, o empresário denunciou também que o dinheiro superfaturado seria utilizado na campanha eleitoral.

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