Em 2009, ex-presidente da República enfrentou um dos momentos mais difíceis de sua carreira política com a crise no Senado

Candidato pela quarta vez à Presidência do Senado, José Sarney (PMDB-AP) busca sua redenção após vivenciar um dos períodos mais turbulentos da sua vida pública. Ex-presidente da República (1985-1990), ele construiu a candidatura a seu modo. Em princípio, negou que seria candidato. A uma semana, porém, disse que recebeu um apelo da bancada do seu partido para concorrer.

Sarney irá completar 81 anos em abril. Nos últimos dois anos, enfrentou problemas de saúde e uma das maiores crises políticas que quase provocou a perda do mandato. Tudo começou há exatos dois anos, quando foi eleito pela terceira vez presidente do Senado contra Tião Viana (PT-AC), que tinha apoio do PSDB.

No dia da votação, o então líder tucano Arthur Virgílio (AM) subiu à tribuna para afirmar que Sarney representava o passado de abuso da estrutura da Casa para fins políticos. Criticou, sobretudo, o então diretor-geral Agaciel Maia. Servidor de carreira, havia sido nomeado há 15 anos pelo próprio Sarney, durante sua primeira passagem pela Presidência do Senado (1995-1997).

Sarney tentou retomar o controle da situação ao defender uma “profunda reforma administrativa no Senado”. O que ocorreu, no entanto, foi uma série de denúncias de irregularidades que começaram com a demissão de Agaciel e atingiram o auge com a revelação do uso de atos secretos para nomear parentes. No topo da lista, estavam sobrinhos, irmãs, netos e até namorados de netas de Sarney.

Filha de Sarney e exercendo o mandato de senadora da República pelo PMDB do Maranhão, Roseana Sarney chegou a dizer que o pai “não tinha apego ao cargo” que poderia sair da presidência. Não foi o que ocorreu.

Com apoio do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), Sarney resistiu. Mais. Ganhou o apoio do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os pedidos de processo no Conselho de Ética foram arquivados. A prometida reforma administrativa, no entanto, nunca saiu do papel.

Apoio a Dilma

Em 2010, Sarney foi um dos principais aliados da então candidata Dilma Rousseff. O PT do Maranhão acabou obrigado a apoiar Roseana para o governo do Estado. Ela venceu e os dois senadores apoiados pela família, Edison Lobão e João Alberto Souza (ambos do PMDB), também acabaram eleitos. Durante a transição, Sarney garantiu a volta de Lobão ao ministério de Minas e Energia, setor que a família domina há anos.

Nesta terça-feira, quando voltar a se eleger presidente do Senado, Sarney renovará suas forças junto ao governo. Como o Senado tem função de Casa revisora, passarão por ele todos os projetos de interesse do Palácio do Planalto. O PT, Dilma e até o ex-presidente Luiz Inácio Lula sabem deste poder. Por isso, Lula fez questão de que Sarney o acompanhasse no voo em que deixou Brasília no dia 1º de janeiro rumo a São Paulo e depois São Bernardo do Campo.

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