Quinta-feira tem infra-estrutura funcionando e belos shows de Stevie Wonder e Janelle Monáe

As reclamações surtiram efeito. Depois de uma primeira semana conturbada, o Rock in Rio voltou aos eixos nesta quinta-feira (29), seu dia extra, marcado por um par de shows excelentes, com pouquíssimo atraso, e infra-estrutura revitalizada. Stevie Wonder e Janelle Monáe , inclusive juntos, mostraram o que a black music tem de melhor. As filas, antes generalizadas , só continuaram nos brinquedos. Comer e beber no festival ficou muito, muito mais fácil.

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Além do aumento do número de funcionários - algumas lojas de uma rede de fast-food na cidade foram fechadas e as equipes, deslocadas para a Cidade do Rock -, optou-se por privilegiar alimentos mais práticos e rápidos de preparar. A medida teve impacto direto na velocidade do atendimento, para alegria dos frequentadores.

Ir ao banheiro também se tornou uma tarefa menos penosa. Se no domingo o público foi obrigado a pular e inevitavelmente pisar em poças de urina, devido a um colapso do sistema de esgotos , pelo menos hoje a situação ficou sob controle. Funcionários ficaram de vigia tanto para censurar os "mijões" que insistissem em se aliviar no lugar errado quanto para realizar uma rápida manutenção.

Por falar em vigilância, o número de seguranças na Cidade do Rock aumentou visivelmente, embora incidentes continuem a acontecer - furtos ainda surpreendem os desavisados, inclusive um fotógrafo , que resolveu se meter no meio do público e saiu do outro lado com equipamento faltando.

O dia começou ao som de Marcelo Jeneci e Curumin , que se dividiram entre seus trabalhos solo. A música black, no entanto, apareceu com força mesmo foi com Afrika Bambaataa , que se apresentou ao lado de Paula Lima e do rapper português Boss AC. Joss Stone mostrou sua soul music retrô esbanjando charme para uma plateia de fãs cativos e o Baile do Simonal , bem mais tarde, tocou para pouca gente.

No palco Mundo, os remanescentes da Legião Urbana homenagearam Renato Russo com a Orquestra Sinfônica Brasileira e convidados no lugar do vocalista. Se Rogério Flausino, Pitty (desafinada), Dinho Ouro Preto, Herbert Vianna e Toni Platão não fizeram performances memoráveis, ao menos o público cantou junto os sucessos da banda.

Pouco conhecida no Brasil, mas em evidência no exterior, Janelle Monáe mostrou a razão por trás do fuzuê. Dançando muito, fez jus às comparações com James Brown e botou a plateia para dançar, inclusive com covers de Prince e Jackson 5. Após a apresentação, experimentou a tirolesa e ficou de pernas para o ar sobre as cabeças do público que já assistia a outro show. Certamente vai embora com novos fãs na bagagem.

Perdido na programação, o dance pop safado de Ke$ha passou batido pelos espectadores, que só se interessaram pela última música, o hit "Tik Tok". Joss Stone poderia perfeitamente ter ocupado seu lugar no palco principal.

O Jamiroquai fez um show correto, mas sem o punhado de hits que tem na manga. Não empolgou como deveria. Já Stevie Wonder ... Esse fez de sobra.

Entrou atrasado no palco e saiu de cena antes da hora. Mesmo assim, não há do que reclamar. Tocou até deitado e pela metade do espetáculo abriu mão do setlist para tocar "Garota de Ipanema", "Você Abusou" e os sucessos da carreira - a plateia foi embora cantando "Isn't She Lovely" e "You Are the Sunshine of My Life".

Para completar, Janelle entrou no palco e dividiu com Stevie três músicas, entre elas "Superstition". Um dos grandes momentos do Rock in Rio, se não o melhor.

Nesta sexta-feira (30), o dia será pop até a medula. Jota Quest, Marcelo D2, Ivete Sangalo, Lenny Kravitz e Shakira devem promover uma festa ininterrupta na Cidade do Rock - o clima de micareta será predominante. Veja a programação no especial .

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