Pausa melhora Rock in Rio, mas festival termina com problemas

Segunda semana foi marcada para ajustes na infra-estrutura, que voltou a apresentar falhas no último dia

iG Rio de Janeiro |

Foi preciso esperar 10 anos para uma nova edição do Rock in Rio no Brasil. A julgar pelos gritos de alegria diários de quem entrava na Cidade do Rock ao longo da última semana, demorou demais. O festival, no fim das contas, se mostrou necessário para um país carente de grandes festivais de música. O saldo geral em 2011 foi positivo, mas cheio de percalços e com um final tenso e melancólico.

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O primeiro dia foi cheio de problemas. Falta de informação na entrada , filas imensas e o já famoso arrastão no show de Claudia Leitte , que chamou atenção para o problema da segurança no festival. Situação agravada, aliás, pelo colapso no atendimento das lanchonetes : ao final da tarde, quem queria comprar comida podia amargar mais de uma hora de espera. O corpo a corpo nas filas era um prato cheio para os criminosos.

Na noite das divas pop , quem se saiu melhor foi Elton John . Sem poupar sucessos, o cantor britânico conseguiu superar Rihanna , o playback de Katy Perry e a multifacetada Claudia Leitte . No início de tudo, Milton Nascimento homenageou Freddie Mercury, seguido por Titãs e Paralamas do Sucesso , numa abertura pouco inspirada. Já o palco Sunset de cara mostrou ser uma boa ideia, com o show rock 'n' roll de Ed Motta e a cumplicidade de Sandra de Sá e Bebel Gilberto , coroada com um beijo cinematográfico.

No sábado do Red Hot Chili Peppers , a situação melhorou um pouco, mas aí veio a chuva enquanto o Stone Sour se apresentava e encheu a Cidade do Rock de poças. Se a atração principal não fez um grande show, assim como o sonolento Snow Patrol , o Capital Inicial tratou de levantar o público. O Mondo Cane , projeto do líder do Faith No More, Mike Patton, fez o mesmo no último compromisso no palco Sunset.

O fim da primeira parte do festival , no domingo, foi marcado pela imensidão de camisetas pretas no dia do rock pesado, a programação mais coesa até então. Inexplicavelmente no palco secundário, Sepultura fez um grande show, ao contrário do Gloria , vaiado no principal no mesmo horário. Das atrações esperadas, ninguém decepcionou: Motörhead , Slipknot e principalmente o Metallica atenderam às expectativas.

O porém maior foi o cheiro. Depois de três dias, o sistema de esgoto improvisado não deu conta da demanda e os banheiros transbordaram . Poças de urina se espalharam pelo chão e, já que estava tudo um nojo mesmo, ninguém se preocupou em ir até um mictório: qualquer lugar virou propício para aliviar a bexiga.

Vivian Fernandez
A ótima apresentação do músico Stevie Wonder marcou o começo da segunda etapa do Rock in Rio 2011
Quando seria difícil piorar, as nuvens negras passaram. O Rock in Rio reiniciou na quinta-feira , seu dia extra, com sol, sem filas para entrar , atendimento otimizado nas lanchonetes e mais seguranças contratados. Para completar, bons shows. No palco Sunset, Afrika Bambaataa e Joss Stone foram os destaques. Ke$ha e Jamiroquai não mostraram a que vieram, bem ao contrário de Janelle Monáe , a grande surpresa desta edição, e ele, Stevie Wonder , o melhor do festival.

Já a sexta-feira foi o dia da micareta . Cidade Negra e Monobloco passaram com alarde pelo palco menor, enquanto no palco Mundo Marcelo D2 e Jota Quest botaram a plateia para pular. O rock de Lenny Kravitz se mostrou competente, mas perdido numa escalação tão pop. Justamente o terreno do axé de Ivete Sangalo e do rebolado de Shakira . As duas fizeram bonito sozinhas e depois juntas, já que a baiana voltou a aparecer no fim da noite para um dueto.

Vivian Fernandez
Os britânicos do Coldplay salvaram o penúltimo dia de apresentações do Rock in Rio 2011
O penúltimo dia teve uma mistura de pop e soft rock que não chegou a empolgar. No palco principal, Frejat e Skank tocaram sucessos para o público, enquanto Maroon 5 e Maná falharam em criar qualquer empatia. Coube ao Coldplay salvar a noite. E os britânicos conseguiram, tocando hits e músicas novas num show com boa produção.

O sétimo e último dia foi o mais tumultuado do festival. Além do acúmulo de atrasos, que levou o Guns N' Roses a terminar seu show depois das 5h, houve tentativas de invasão da Cidade do Rock e o desabamento de uma rampa provocado pela forte chuva , que deixou diversos feridos. Entre os shows, Detonautas e Pitty não comprometeram, Evanescence foi morno, System of a Down fez uma das melhores apresentações do festival e o Guns N' Roses lutou para animar um público já bastante cansado - e molhado.

O Rock in Rio, portanto, começou mal, se redimiu e disse adeus quase que perdendo os pontos acumulados pelo meio do caminho. Verdade que não é possível culpar a organização pelo incômodo da chuva, mas várias questões podem ser levantadas: a falta de planejamento para evitar as invasões - a Guarda Municipal admitiu que esperava algo parecido; a má manutenção no palanque que caiu; a ideia de escalar para o show de encerramento uma banda famosa por shows longos e atrasos enormes; a falta de transparência na comunicação com a imprensa.

Não vai ser preciso esperar 10 anos, e sim apenas dois para o próximo Rock in Rio, em 2013 . Tempo de sobra para manter os acertos e consertar os erros. Assim vai dar para se despedir dizendo o que todo mundo gostaria: vida longa ao Rock in Rio.

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