Para Serguei, "avô" dos roqueiros brasileiros, Rock in Rio foi desfigurado

Cantor critica inclusão de artistas de samba e axé na programação do festival

EFE |

AE
O cantor Serguei em 2004
O roqueiro Serguei, considerado a seus 77 anos o "avô" do rock nacional, considera que a nova edição do Rock in Rio, que começará na sexta-feira no Rio de Janeiro, desfigurou o espírito original do festival, transformado em um espetáculo comercial com pouco rock.

"O rock and roll não é só um gênero musical. O rock and roll é uma cultura, é um estilo de vida, é uma atitude, e não vejo nada disso em um samba ou em um axé", afirmou à Agência EFE em seu refúgio em Saquarema, cidade litorânea do Rio de Janeiro.

O músico, que não se importa em ser chamado de "dinossauro" do rock e que não perde oportunidade de evocar seu suposto romance com Janis Joplin, considera que a inclusão no festival de grupos de samba, pagode, axé e outras músicas populares desfigura o Rock in Rio.

A nova edição do festival será realizada nos fins de semana de 23 a 25 de setembro e de 29 deste mês a 2 de outubro, e contará com as apresentações de bandas como Coldplay, Red Hot Chili Peppers, Metallica, Lenny Kravitz e Guns N'Roses, entre outros.

A lista de artistas estrangeiros inclui vários ídolos do pop, como Shakira, Rihanna, Elton John e Stevie Wonder. Entre os brasileiros, apesar de incluir as bandas de rock com mais destaque no cenário nacional, também há vários cantores de samba e música popular brasileira.

"Podem ser os melhores intérpretes de samba do mundo, mas não são rock", alega Serguei, que recebeu a EFE maquiado como antigamente, com suas tradicionais roupas psicodélicas, lentes de contato azuis e uma peruca de cabelos compridos de cor escura, apesar das rugas que não escondem sua idade.

"Eles me disseram que tinham convidado a Claudia Leitte e a Ivete Sangalo porque aonde elas vão levam uma multidão incalculável. Então é o 'money' que manda", afirmou o músico, que foi batizado de "O anjo maldito" em sua biografia autorizada.

"Ambas são maravilhosas no que fazem, mas não sei se o público de rock and roll gosta isso. É tudo muito comercial. Quem foi a verdadeiros festivais de rock não gostará do que encontrará no Rio este mês", acrescentou. O velho roqueiro concorda com os críticos que pedem aos organizadores que substituam o nome de "Rock in Rio" pelo de "Pop in Rio" e se queixa que o festival perdeu personalidade.

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