Metallica faz show mais longo do Rock in Rio e público pede mais

Banda traz repertório recheado de clássicos e faz o melhor show do primeiro fim de semana de festival

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Sim, o Metallica também se baseia em clássicos do passado, como outros grandes nomes que tocaram e tocarão neste Rock in Rio . Mas pelo bom senso. O câncer nominado “Load” e “Reload” foi praticamente extirpado do repertório, sobrou uma bela cicatriz, “Fuel”, e o resto, o bom. Com um setlist irretocável e um James Hetfield muito bem treinado na arte de conduzir mais de uma centena de milhares de pessoas, a banda que provavelmente é a mais bem sucedida do gênero na história mostrou o motivo de ninguém arredar pé da Cidade do Rock mesmo após o fim da apresentação. Foram 2h10 de histeria coletiva, o show com maior duração até o momento.

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A atração principal do terceiro dia de Rock in Rio começou como manda o roteiro que vem de anos atrás. “Ecstasy of gold”, de Enio Morricone, com cenas do filme “The good, the bad and the ugly (Três homens em conflito)” e a pancada “Creeping death”, do “Ride the Lightining”. Gritos de “die (morra)” e os chifres de dedos para o alto. “For whom the bell tolls”, veio na sequência, com Kirk Hammett já arregaçando os trastes.

“Vocês estão se sentindo bem? Nós nos sentimos melhor. Queremos que vocês se sintam como nós. Esse é o desafio”, disse Hetfield antes de tacar combustível na plateia com a única música do disco “Reload” tocada na noite, seguida da faixa que dá nome ao segundo álbum do grupo, “Ride the lightning”. Hammett emendou uma base sozinho e logo começou a rabiscar o braço da guitarra (usou de Les Paul a Jackson).

Falha no som da guitarra de Hetfield
A primeira balada do dia provocou gritos das mulheres, berros dos marmanjos e fez muita gente achar que tinha uma guitarra nas mãos. Foi quando Hetfield mostrou que tem um jogo de cintura ímpar em cima do palco. Houve uma grave falha de som, provocada por um esbarrão do guitarrista, em "Fade to black" que durou alguns segundos. Após a parte lenta da música, uma paradinha programada para voltar com peso total. Mas a guitarra do vocalista voltou limpa, sem distorção. “Tão pesado...”, disse Hetfield rindo, já depois de terminar a música. “Normalmente é, mas vocês entenderam a ideia”, brincou. Ganhou a plateia.

O vocalista enalteceu as demais bandas da noite no festival, com menção especial para Lemmy Kilmister, líder do Motörhead . “Estamos muito gratos por tocar com todos, especialmente o padrinho do heavy metal, Lemmy”. Foi então a primeira vez no Rio que o Metallica colocou o seu último lançamento de estúdio, “Death magnetic”, à prova. O público cantou quase toda a letra de “Cyanide”, seguida de “All nightmare long” e do solo de Robert Trujillo, o baixista que substituiu Jason Newsted e deu um novo sopro de vida ao Metallica. No dedo, imita liquidificador batendo gelo.

“Estão cansados? Ou estão apenas se aquecendo? Estão com vontade de cantar?”, indagou Hetfield, que então passou a entoar o longo refrão de um dos maiores sucessos do “Black Album” com o público cantando cada sílaba. Mas só da primeira parte. Na segunda, muita gente tropeçou. “Sad but true”.

Homenagem a Cliff Burton
O que viria depois faria qualquer fã de Metallica, ainda que já tivesse assistido a dezenas de shows do grupo, delirar. A sequência da nata do disco “Master of puppets”: “Welcome home (sanitarium)” e a instrumental “Orion” vieram primeiro. A faixa que dá nome ao disco, porém, só viria após um sucesso ainda maior. A introdução para “One”, uma das melodias mais conhecidas do heavy metal, de “And justice for all...”, foi cantada por cada um dos presentes e teve pirotecnia pesada, com bombas no palco, fogos de artifício e muito barulho. Lars Ulrich, como de costume, destruiu a bateria.

Ainda coube homenagem a Cliff Burton, o membro do grupo que morreu em 27 de setembro de 1986, em acidente com o ônibus da banda na Suécia. “Você está conosco em espírito e no nosso coração, Cliff”, disse Hetfield em referência ao ex-baixista do Metallica. No fim, a banda recebeu uma bandeira com o rosto de Burton, trazida por fãs.

Mas o maior coro da noite, como já era de se esperar, foi na balada “Nothing else matters”, lançada depois da pancada “Blackened” e de Trujillo solar desafinando o baixo ao vivo, a ponto de fazer tremer os woofers do sistema de som do festival. Hammett ainda chegou a tocar rapidamente “Samba de uma nota só”, saiu rindo.

Vicente Seda
Fãs entregaram ao Metallica bandeira em homenagem ao baixista Cliff Burton, cuja morte completará 25 anos nesta terça
Metallica para e público não sai
O fim da primeira parte da apresentação seria apoteótico. Com o público ainda anestesiado pela balada anterior, os primeiros acordes de “Enter Sandman” fizeram explodir a Cidade do Rock. O pedido de bis foi ensurdecedor. E a banda não demorou a voltar, com a única troca de camisas do show por motivo de “nhaca”.

“Vocês esperaram muito tempo por nós, e nós esperamos muito tempo por vocês, Rio. Vamos tocar algo que nos inspirou a tocar”, avisou Hetfield para soltar “Am I evil?” do Diamond Head. Em seguida, outro petardo de fazer morto se revirar no túmulo. “Whiplash” fez rodinhas de pancada se abrirem mais uma vez. Tudo na brincadeira. Não houve confusão.

O Metallica parou de novo. E o público não desistiu. Gritos insistentes, incessantes, clamavam por “Seek and destroy”, o maior clássico do primeiro disco da banda, "Kill'em all". Hetfield pediu que todos os holofotes fossem direcionados à plateia, que recebeu bolas pretas para brincar. Passou a fingir que guardaria a guitarra, respondendo a cada urro do público. “Mais uma? Para vocês, é claro!”, disse o mestre de cerimônias. “Mas vocês têm de cantar alto, quero a última gota de energia. Seek and destroy!”. Foi o fim da noite perfeita para quem se veste de preto e balança o cabelo.

Confira o setlist completo do show do Metallica:

Creeping death
For whom the bell tolls
Fuel
Ride the lightning
Fade to black
Cyanide
All nightmare long
Sad but true
Welcome home (sanitarium)
Orion
One
Master of puppets
Blackened
Nothing else matters
Enter Sandman

Bis
Am I evil?
Whiplash
Seek and destroy

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