Jamiroquai faz show irretocável, mas esquece dos hits no Rock in Rio

Grupo mostrou ótimo entrosamento e funk/jazz de qualidade, mas tirou faixas íntimas do público brasileiro, que ficou sem ter o que cantar

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

Uma banda muito bem ensaiada, que não para, e dificilmente erra, a não ser na escolha do repertório para tocar em um lugar que não visita com muita frequência. Curiosamente, o Jamiroquai arrancou do setlist sucessos mais íntimos do público brasileiro, como “Space Cowboy”, "Virtual Insanity", “When You Gonna Learn” e “Alright”, prevista na programação original. Outro contra é que Jay Kay não é um grande animador de público. Sabe cantar, mas não se comunica. Antes do bis, parou a apresentação que durou pouco mais de uma hora duas vezes, por tempo suficiente apenas para dizer “thank you” ou “obrigado”.

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Mas no quesito música, contudo, o Jamiroquai impressiona. Do vocal ao sintetizador, ninguém sai do tom no funk/acid jazz. Com o tradicional chapéu de cacique, Jay Kay iniciou seu show com a música que dá nome ao último disco da banda, “Rock dust light star”. A levada soul/disco passou por uma guitarra com “wah-wah” muito bem administrada, sem firulas, enquanto os sopros coloriam o ambiente para a voz.

O Jamiroquai pouco dá espaço para virtuose, apesar da clara referência no jazz denunciada especialmente pelo contratempo da bateria. Mesmo as jams se norteiam pelo ritmo, não por solos. A terceira música do show, “Cosmic Girl”, uma das duas músicas que o público cantou, já serviu para aproximar o plateia, que até então parecia tentar entender o que estava acontecendo, atordoada pelo som de Ke$ha .

Os sintetizadores foram um show à parte. Das discotecas dos anos 70 aos grooves pesadíssimos de “Deeper underground”, o rack com diversos teclados parecia um parque de diversões para Matt Johnson, produzindo uma quantidade de efeitos difíceis de se ver no gênero, e sem passar do ponto.

Em “High times”, o groove tomou conta dos woofers e a guitarra começou a marcar jazz com ótimas e precisas inserções de sopro. “Canned heat” terminou com um bom solo de percussão, bastante aplaudido. Mas o grande momento mesmo, já que quando a banda voltou para um breve bis muita gente já se movimentava em direção às lojas de alimentação, foi “Deeper underground”, da trilha sonora do filme Godzilla, que fez sucesso no Brasil.

De resto, o Jamiroquai parece ter dado um tiro no próprio pé. Poderia pelo menos ter um encerramento menos sem sal, mas muita gente acabou mais interessada em sanduíche do que no repeteco final por simples escolha das faixas para fechar a fatura. Não faltou talento, só bom senso.

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