‘Coroas’ do Motörhead dão aula e sacodem público no Rock in Rio

Liderados por Lemmy Kilmister, roqueiros convocaram Andreas Kisser, do Sepultura, ao palco, e deixaram fãs em êxtase

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

O primeiro show do Rock in Rio em que a plateia pediu, com vontade, um bis. O Motörhead, liderado por Lemmy Kilmister, de 65 anos, não facilitou o trabalho das atrações principais do palco Mundo na noite de metal do festival. Com Mikkey Dee possuído, pra Lars Ulrich nenhum botar defeito, e Phil Campbell encaixando solos rapidíssimos e bem montados. Uma aula de rock’n roll.

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A primeira pancada foi de punho cerrado. “Iron fist” já tirou os metaleiros do chão, com Lemmy em seu traje tradicional. A voz do sujeito é tão rouca que, em diversos momentos, quem cuidava da comunicação com o público era Campbell, já que o fundador do Motörhead não raramente se tornava incompreensível. “Stay clean” veio em seguida, emendada com “Back in line”, a qual Campbell aproveitou para arregaçar a Les Paul que usou no começo do show.

“Querem que a gente toque? Então levantem os braços!”, disse o guitarrista, com resposta imediata. Depois de “Metropolis”, foi a vez de Lemmy falar com o público: “Temos tentado achar a plateia mais barulhenta do mundo. Então quando eu contar até três, serão vocês”. O povo de preto já começou a gritar. “Esperem, calem a boca porra!”, ordenou o vocalista. “Quero dor! Um, dois, três!”. E começou “Over the top”, dedicada por Lemmy a quem “fez esse barulho todo”.

As famosas rodinhas dos metaleiros já rolavam soltas no gargarejo quando começou “One night stand”. No fim da música, uma pausa. “Temos de beber um pouco”, disse Campbell. “Um pouco?”, indagou Lemmy. Na sequência, “Know how to die” e “Chase is better”, com Dee espancando os surdos e pratos com velocidade e precisão para botar muita estrelinha no bolso. O ápice, para Dee, foi em “In the name of tragedy”. Disparado, sem comparações, o melhor solo de bateria do Rock in Rio até o momento. O público foi ao delírio, boquiaberto, com o que fez o sujeito.

Em seguida, a música feita pelo Motörhead logo após sua primeira vinda ao Brasil, no início da década de 90, e dedicada aos brasileiros. “Going to Brazil” não deixou ninguém no chão. Mas o melhor ainda estava por vir. “Amamos vocês! Querem rock? Um, dois, três, quatro”, urrou Lemmy para iniciar “Killed by death”. Nesta faixa, quem brincou foi Campbell, uma lição de domínio do instrumento.

Antes de finalizar a fatura, Lemmy apresentou a banda. “Esse é o melhor baterista do mundo”, avisou antes de anunciar Dee. “Este aqui está só há 28 anos no Motörhead”, disse o vocalista apresentando Campbell que, por sua vez, fez as honras para o fundador da banda. Lemmy então convocou reforço, Andreas Kisser, do Sepultura . Catarse coletiva. Em “Ace of spades” e a enfurecida “Overkill”, Kisser e os integrantes do Motörhead maltrataram os tímpanos mesmo dos que estavam mais distantes do palco.

“Não nos esqueçam! Somos o Motörhed e tocamos rock fucking roll!”, finalizou Lemmy, dando murros no baixo com a distorção ligada. Foi a primeira vez no Rock in Rio que a plateia, em êxtase, pediu bis com vontade, batendo palco por minutos seguidos até que o telão sinalizou que não haveria retorno do grupo. Mas não havia porque reclamar.

Confira o setlist completo do show do Motörhead:

Iron fist
Stay clean
Back in the line
Metropolis
Over the top
One night stand
Know how to die
Chase is better
In the name of tragedy
Going to Brazil
Killed by death
Ace of spades
Overkill

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