Coldplay emociona, mas faz show mais curto dos ‘headliners’ do Rock in Rio

Chris Martin cantou sucessão de hits, homenageou Amy Winehouse e fez até referência a Jorge Ben em apresentação de 1h20

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

O Coldplay emocionou o público neste sábado (1º) – talvez tenha sido a banda que melhor aproveitou os efeitos de luz e som do festival –, mas deixou muita gente se perguntando: “acabou?”. Foi assim, em 1h20, que a apresentação mais curta entre os “headliners” do Rock in Rio terminou.

Gritinhos e berros foram ouvidos em diversos momentos, como em “Clocks” e “Yellow”, mas os momentos de real delírio foram quando Chris Martin iniciou uma homenagem a Amy Winehouse , com “Rehab”, e a frenética “Viva La Vida”, que teve seu refrão traduzido em “quero mais” no coro por bis, também repetido no fim da apresentação.

O grupo britânico cumpriu a promessa e testou as músicas que estarão em seu disco com lançamento previsto para o fim de outubro. Foram seis músicas inéditas, que, pela resposta dos brasileiros, farão bastante sucesso por aqui. O show começou com o tema do filme "De Volta Para o Futuro" e uma das inéditas, a vinheta que dá nome ao disco, “Mylo Xyloto”, seguida de "Hurts Like Heaven", que não chegou a empolgar. Depois, Martin tascou direto o hit “Yellow”. Aí sim, sob luzes amarelas, o público vibrou.

Alternando momentos de pressão e clima melancólico com autoridade, o Coldplay partiu para “In My Place”, outro sucesso cantado pela plateia – pelo menos em parte, já que as belas letras de Chris Martin não são das mais fáceis de decorar. Teve até coração no telão. Martin, então, falou pela primeira vez com os fãs e arriscou a lingual local: “Boa noite, amigos”, disse, já partindo para o inglês. “Peço desculpas pelo meu português. Está tudo bem? Estamos muito felizes por tocar no Rock in Rio e espero que vocês que nos aguardaram se divirtam”. Não precisava nem pedir, pela reação dos brasileiros.

“Major Minus”, também do disco novo, passou em branco no que diz respeito a coro, mas foi aplaudida e portanto, aprovada. “Paradise”, com um refrão mais fácil, já teve sua cantoria, apesar de inédita. Com boas pitadas de órgão e guitarra carregada de efeitos, “Lost!” e “Violet Hill” fizeram o público pular antes de nova calmaria. “Got Put A Smile On Your Face” provocou um mar de mãos ao alto, mas não era roubo, só felicidade. A parte mais pesada da música fez o Rock in Rio tremer e o final teve direito a referência a Jorge Ben, numa citação de Martin a “Mas que Nada”.

Com um gogó de fazer inveja, sem nem ameaçar desafinar, o vocalista arrancou gritos das tietes com “The Scientist”, notoriamente uma das músicas que mais agradam por aqui. Foi o momento beijos, abraços, pulinhos e sorrisos no gargarejo. “Está todo mundo bem? Aí na esquerda? Na direita? No fundão? Na frente?”, brincou em português, arrancando risos. “Ok, quatro palavras, consegui”, completou.

“Us Against The World”, voz e violão, ficou no limbo entre sorrisos e bocejos. No fim da canção, Martin puxou o coro: “Olê, olê, olê”, e cada um respondeu com seu próprio time de futebol, como era de se esperar. “Politik” foi um dos momentos com a iluminação mais impressionante do espetáculo, mas curiosamente não tirou a plateia no chão.

Sem maiores problemas, já que em seguida “Viva La Vida” cuidou da questão. O refrão da música se tornou o pedido de bis do público, cantado logo após a primeira interrupção, que veio depois de “Charlie Brown” e “Life Is For Living”, e também no fim do show.

A rápida pausa teve um retorno de tirar o fôlego. “Clocks” sacudiu o palco Mundo, com a introdução no teclado que pelo visto era conhecida por todos os presentes. Bastaram duas ou três notas para uma catarse coletiva, com direito a névoa holográfica provocada pela mistura dos lasers com a fumaça de cigarros que emanava da multidão.

Em seguida, talvez o momento mais emocionante do show. Martin, no órgão, com camisa escrito “Rio”, deu o tom de “Rehab”, homenageando Amy Winehouse, que morreu este ano. O vocalista puxou: “I say”, e o público, eufórico, respondeu diversas vezes “no, no, no”. A apresentação foi encerrada com “Fix You”, na qual Martin, muito empolgado, começou a girar uma toalha, sendo imitado pelos fãs, e “Every Teardrop Is a Waterfall”, outra inédita mas já conhecida por parte do público.

A banda pegou a bandeira do Brasil e Martin agradeceu rapidamente antes de deixar o palco. O público voltou a entoar o refrão de “Viva La Vida”, gritou, aplaudiu, não saiu do lugar, mas não adiantou. Era isso mesmo. O show mais curto entre os “headliners” do Rock in Rio.

Confira o setlist completo do Coldplay no Rock in Rio:

Mylo Xyloto
Hurts Like Heaven
Yellow
In My Place
Major Minus
Paradise
Lost!
Violet Hill
God Put A Smile On Your Face
The Scientist
Us Against The World
Politik
Viva La Vida
Charlie Brown
Life is For Living

BIS
Clocks
Rehab (Amy Winehouse cover)
Fix You
Every Teardrop Is A Waterfall

Acesse o especial Rock in Rio

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