Andreas Kisser diz que Sepultura decidiu tocar em palco menor

Em entrevista ao iG, guitarrista fala sobre participação em show do Motörhead e avalia: melhor apresentação foi a do Metallica

Vicente Seda, iG Rio de Janeiro |

O Sepultura se apresentou no domingo, no palco Sunset do Rock in Rio , diante de uma multidão eufórica e indignada, que se perguntava por que a banda não estava no espaço principal do festival.

O guitarrista e líder do grupo, Andreas Kisser, em entrevista ao iG , revela que a decisão de tocar no palco secundário foi da própria banda em conjunto com a produção e que não se arrepende da escolha. Ele lamenta ter interferido no show de outra banda, mas diz sequer ter notado algum tipo de mistura de sons na sua apresentação. Para ele, a “atitude do Sepultura estava mais alta”.

Kisser falou ainda sobre a dobradinha com Lemmy Kilmister no show do Motörhead e a apresentação de clássicos do rock ao lado de Ed Motta, mas elegeu o Metallica como o melhor do festival até o momento.

AgNews
Andreas Kisser em show do Sepultura no Rock in Rio

iG: O show do Sepultura dividiu o público com o palco principal, e o som dos dois espaços misturavam. Do palco, como você observou essa questão? Subestimaram o Sepultura?
Andreas Kisser:
Na verdade, foi uma decisão tomada em conjunto pela própria banda com a organização do festival. O Sunset tinha essa proposta de fazer essas misturas e a gente queria fazer um show especial com o pessoal do Tambours du Bronx, que já conhecemos há uns três ou quatro anos. Provavelmente agora vai acontecer mais, foi uma première. Foi bom, apesar dos atrasos que a gente teve. Foi um show fantástico, superou todas as expectativas, inclusive a nossa. Foi memorável.

iG: Mas o som do Gloria [que tocava no mesmo momento] chegou a atrapalhar o de vocês?
Andreas Kisser:
O som do palco Mundo não atrapalhou, não deu para escutar nada porque a gente tocou mais alto. A atitude estava mais alta, pelo menos. Infelizmente tivemos de tocar junto com o Gloria, não era para ter acontecido isso, mas não tirou o brilho do nosso show.

iG: Vocês fizeram um cover de “Firestarter”, do Prodigy, um som mais eletrônico. É uma tendência para o Sepultura?
Andreas Kisser:
Gravamos essa faixa como bônus do [disco] 'Kairos', saiu em uma edição especial junto com uma música inédita. Foi a primeira que tocamos ao vivo e com os tambores teve tudo a ver, funcionou muito bem. O Prodigy não influenciou tanto assim o Sepultura, mas é uma banda muito enérgica, tem muita influência de punk e até heavy metal. A versão ao vivo do Prodigy de “Firestarter” tem muita guitarra, é uma coisa bem caótica. Acho que a mistura com os tambores apresentou a música de uma forma única.

iG: Entre o público do palco Sunset havia muita gente revoltada pelo Sepultura estar ali e alguns chegaram a hostilizar o pessoal do Gloria. Você notou isso do palco?
Andreas Kisser:
Não deu para notar do palco, só depois com os comentários nas redes sociais. O Sepultura tem história, bagagem, para estar em qualquer palco. Mas foi uma escolha consciente da banda e da produção de fazer essa mistura num palco especial e trazer esse palco para um nível que não seja palco B. Um lugar que tem Sepultura, Joss Stone, Mike Patton, Ed Motta, não pode ser palco B. É o palco da jam. Estou achando muito mais rica essa experiência do que fazer um show mais comum no palco Mundo, uma coisa mais esperada.

iG: Com o Ed Motta vocês tocaram [músicas de] Allman Brothers, Animals, Led Zeppelin e outros. Como você percebeu a repercussão de show? Funcionou como esperado?
Andreas Kisser:
Isso é raiz de qualquer rock. Qualquer um que está na música conhece Led Zeppelin, Jimi Hendrix... O Ed Motta cresceu no metal, era metaleiro mesmo, só andava de preto, totalmente radical, e conhece muito. É uma enciclopédia musical. Essa foi a intenção. Juntar ali gerações diferentes e fazer aquela coisa que a gente curte.

iG: E como foi a participação no show do Motörhead?
Andreas Kisser:
Foi como o James Hetfield [Metallica] falou no palco. Tinha várias bandas espetaculares na noite, mas tudo por culpa do tio Lemmy [vocalista e baixista do Motörhead]. Realmente, não fosse o Motörhead, nada daquilo estaria acontecendo. Não foi a primeira vez que toquei com ele. Já tocamos “Going to Brazil”, ele já fez jam com o Sepultura tocando “Orgasmatron”, mas foi especial por ser no Brasil, em um puta festival.

iG: Chegou a conversar com eles no backstage? Como foi o acerto para essa dobradinha?
Andreas Kisser:
Uma noite antes estávamos no hotel tomando umas no bar. No dia seguinte encontrei o Lemmy no backstage. É uma pessoa muito tranquila, fica lá na dele jogando caça-níquel, tomando o “Jack and Coke” dele [mistura de Jack Daniels com Coca-cola], é o cara mais tranquilo do mundo, é foda.

iG: Mas ele colocou um caça-níquel no backstage ou jogou no computador?
Andreas Kisser:
Ele tem uma máquina, que leva para todos os cantos do mundo (risos).

iG: Quais os projetos para o Sepultura?
Andreas Kisser:
Estamos com uma turnê agora em outubro com a Machine Head, vamos fazer São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, além de Argentina e Chile. Esses são os próximos passos. Em novembro temos mais três semanas de turnê na Europa para fechar o ano.

iG: Qual foi o melhor show que você viu no Rock in Rio, sem contar o Sepultura?
Andreas Kisser:
Difícil dizer, mas acho que o Metallica é sempre fantástico. Ele segura um milhão de pessoas e parece que está conversando com você do seu lado. O repertório dos caras é muito bom, estão em um momento foda. Curti bastante o Korzus também, fizeram um repertório bem legal. Talvez eu vá também no dia 1º [sábado], para ver Skank e Coldplay.

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