Palestrantes pedem desmatamento zero até 2020

Florestas foram o tema do segundo debate do “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”, neste domingo(17), no Riocentro

Valmir Moratelli , iG Rio de Janeiro |

Foi um dos debates conferência, até o momento, que apresentou medidas mais pontuais, com prazos para serem aplicados e ações diretas. “Florestas”, foi o tema do segundo painel do “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”, na tarde deste domingo (17), no Riocentro. Os palestrantes pediram o fim do desmatamento em áreas florestais do planeta até 2020. O prazo é o mesmo para que se refloreste 150 milhões de hectares de áreas desmatadas.

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Bertha Becker, professora da UFRJ, foi a primeira a falar. E insistiu no tema da inclusão social como forma de chegar a um modelo de sociedade com sustentabilidade ambiental.

“Melhores condições de vida exigem maiores ofertas de serviços sociais. A floresta não é mercado. Não queremos isso. Precisamos fortalecer núcleos urbanos presentes com serviços básicos de educação e saúde”, disse a professora.

“Cerca de 70% da população de floresta do estado do Amazonas está em núcleos urbanos. No Amapá este número chega a impressionantes 94%. É onde a pobreza se encontra”, continuou.

Para o panamenho Estebancio Castro Diaz, da Alliance of Indigenous and Tribal Peoples of Tropical Forests, não basta o reflorestamento, mas investimentos governamentais contra o desmatamento.

“A história já mostrou que vontade não é suficiente para assegurar a proteção dos ecossistemas a futuras gerações”, disse.

Promoção de ciência e tecnologia

“Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável” é um evento criado pelo governo brasileiro onde especialistas debatem temas ligados à sustentabilidade. As recomendações que resultarem dos Diálogos serão levadas aos Chefes de Estado e de Governo presentes na Cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a realizada de 20 a 22 de junho.

No painel “Florestas”, além do pedido para que cessem os desmatamentos no prazo de oito anos, até 2020, ficou acertado, em voto conjunto com o público credenciado presente ao auditório, a inclusão do item referente à promoção de ciência, tecnologia e inovação com objetivo de preservar as florestas.

André Giacini de Freitas, do Conselho de Manejo Florestal, disse que o mundo ainda não está preparado para manter as florestas como florestas.

“Não são espaços vazios ou parte de economia”, disse.

“É um bem público que deve ser preservado. Apesar de sua importância, é triste percebermos que ela continua sendo atacada diariamente. Lembro que um quinto de CO2 do planeta é assimilado pelas florestas”, citou a equatoriana Yolanda Kakabadse, da World Wide Fund for Nature (WWF).

O brasileiro Guilherme Leal, presidente da Natura Cosméticos, defendeu o uso racional dos recursos naturais dos ecossistemas, mas visando à proteção das florestas e mananciais.

“Desmatamento se combate com políticas públicas integradas e inteligentes. Desmatamento se combate com recursos de capital público e privado, além de boa governança das populações locais e nacional”, disse o empresário.

Também participaram do debate: A sueca Anders Hildeman, do IKEA; o ingles Christian Del Valle, do Althelia Climate Fund, a francesa Julia Marton-Lefevre, da International Union for Conservation of Nature (IUCN), o alemão Klaus Töpfer, do Institute for Advanced Sustainability Studies (IASS) e a professor chinesa Lu Zhi, da Beijing University.

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