Pessimismo dá o tom do debate sobre pobreza na Rio+20

Terceiro debate do sábado levanta discussão sobre combate a desigualdades sociais do planeta

Valmir Moratelli , iG Rio de Janeiro |

A erradicação da pobreza como um dos pilares da construção de um mundo sustentável foi assunto do terceiro debate da série de “Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável”.

O evento foi criado para que especialistas debatam temas ligados à sustentabilidade, e as recomendações que resultarem dele serão levadas aos chefes de Estado e de Governo presentes na Cúpula da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), a se realizada de 20 a 22 de junho.

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Os palestrantes do terceiro debate de sábado (16) levantaram a discussão sobre o combate a desigualdades sociais do planeta. O brasileiro Marcos Terena, do Comitê Intertribal, criticou o modelo atual de gestão econômica. “Nunca teremos desenvolvimento sustentável se pensarmos em padrões de consumo. O Mercado não pode ser a única maneira de relacionamento com a natureza”, disse.

A peruana Lourdes Huanca Atencio, integrante da National Federation of Women Rural Workers (Federação Nacional de Trabalhadoras Rurais), fez coro. “Natureza não é mercadoria. Seres humanos não são produtos. A indústria quer lucro, exploração de bens e serviços", completou.

A professora da Universidad de la Republica, Judith Sutz, do Uruguai, defendeu a promoção de questões comunitárias para lutar contra a pobreza, além da transferência de alta tecnologia a serviço de uma maior igualdade entre os povos. Márcia Lopes, ex-Ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, defendeu que os governos assegurem a cobertura da saúde universal para alcançar o desenvolvimento sustentável.

Rio+40
Vieram do professor Boaventura de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, em Portugal, as críticas mais duras quanto ao tema. “Não se pode pensar em desenvolvimento sustentável atrelado à economia atual. O capitalismo não funciona para isso. Já vimos que a economia vai dominar o capital verde. Não devemos pensar em economia verde para erradicar a pobreza, devemos pensar em um novo paradigma para o mundo. Sendo assim, temos que pensar na Rio+40, porque essa aqui já falhou”, disse.


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