Richard Dreyfuss: "A fama pode ser muito solitária"

Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 7 mai (EFE).

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Antonio Martín Guirado. Los Angeles (EUA), 7 mai (EFE).- Richard Dreyfuss, um dos grandes atores dos anos 1970, protagonista de "Tubarão" (1975) e "Contatos imediatos de terceiro grau" (1977), vive uma relação de amor e ódio com Hollywood. "A fama pode ser muito solitária", disse o ator em uma entrevista coletiva. "Para mim foi durante muito tempo. Quando alcancei certo sucesso em minha carreira, isso me roubou o direito à privacidade e fez com que me isolasse do resto da humanidade. Portanto tomei a decisão de desaparecer", acrescentou. Dreyfuss, de 62 anos, que estreia hoje nos Estados Unidos com "The Lightkeepers", falou francamente sobre o preço da fama, sua retirada temporária do cinema, a dificuldade de envelhecer na Meca do cinema e seu principal interesse na atualidade: ensinar História e valores cívicos nas escolas do país. Ganhador do Oscar por "A Garota do Adeus" (1977), ele chamou atenção no começo de sua carreira em "Dillinger" e "Loucuras de verão", antes que Steven Spielberg o lançasse definitivamente ao estrelato. Mas Dreyfuss não soube encaixar toda essa repercussão midiática e se refugiou em pequenos filmes. Poucos anos atrás estava no topo da indústria, mas optou por tomar outro caminho. "Não aceitei os papéis que me ofereciam. Sabia que se rodasse 'All That Jazz - O Show Deve Continuar' me uniria a esse grupo de gente que jamais abandona suas casas em Los Angeles", explicou em alusão ao filme de Bob Fosse, que terminou protagonizado por Roy Scheider, seu companheiro em "Tubarão", e que ganhou quatro Oscar. Então o ator caiu, como tantos outros, nas drogas. E rodou filmes em quase não conseguia dissimular sua dependência da cocaína e do álcool. "Fiz filmes dos que não me orgulho. Atuei nelas porque estava bêbado", admitiu. Dreyfuss sempre fantasiou em publicar um anúncio na revista "Variety" que dissesse: "Obrigado por todos estes anos. Adeus". Para nunca retornar. Mas seus problemas pessoais (divórcios e perdas familiares) não permitiram que fizesse isso. "Não tinha dinheiro, portanto não pude dizer adeus. Tinha que ter, de vez em quando, um pouco de renda da única coisa que sei fazer. Agora só trabalho quando encontro um papel que seria idiota rejeitar, ou por dinheiro. Se me perguntam por que fiz "Poseidon" (2006), que era um pedaço de lixo, é porque me pagaram o salário ao que estava acostumado a receber anos atrás", explicou. Esse é um dos grandes dilemas de Dreyfuss. Ele acredita que envelhecer nesta indústria é difícil porque não há papéis atrativos para gente de sua idade. "Hollywood é tão corrupta que as pessoas sempre vão mentir a respeito dessa pergunta, mas o certo é que todo mundo tem seu tempo. Eu não sou o que era, mas a libertação é que eu realmente não me importo com o que as pessoas pensam de mim", declarou. Por isso não ele não vê inconvenientes em reconhecer que aceitou trabalhar em "Piranhas: 3D" por dinheiro. No filme, que estreia em agosto, Dreyfuss volta a dar vida a Matt Hooper, seu personagem em "Tubarão". "Ele escapou de ser comido pelo tubarão e agora, mais velho, é comido por punhado de piranhas", disse entre risos e satisfeito que esse salário seja destinado totalmente à iniciativa que comanda a partir do site "TheDreyfussInitiative.org". O projeto é destinado a recuperar a educação cívica no país no qual o ator está envolvido até o ponto de dar aulas em escolas. "Durante 200 anos fomos a nação mais admirada do mundo. Hoje nossa população não conhece os princípios éticos e o estrangeiro não nos estimam. Quero trazer outra vez as duas coisas", concluiu. EFE mg/pb

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