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Na próxima semana, o "Balaio do Kotscho"

29/08 - 23:53 - Ricardo Kotscho

Agora é oficial: semana que vem entra no ar o meu blog, o "Balaio do Kotscho", informou-me agora no final da tarde o Caíque Severo, diretor de conteúdo do IG.

Nestes quatro meses de convívio com vocês, publicando minhas colunas no "Último Segundo", muitas vezes fiquei sabendo, vi e ouvi coisas que gostaria de contar, mas não cabiam neste espaço destinado a notícias, fatos do dia a dia, comentários sobre acontecimentos relevantes.

No "Balaio", vou poder partilhar com vocês, por exemplo, as não-notícias, como um belo poema que o grande jurista Saulo Ramos, autor do best-seller "Código da Vida", me enviou esta semana após um encontro em sua casa no interior com minha filha Carolina, roteirista de cinema, para falar de um projeto de filme sobre sua vida, junto com os amigos Bráulio Mantovani e Bruno Barreto.

Escrito no começo da segunda metade do século passado, em 1952, "Poema a Meu Pai" me fez lembrar do meu velho, que morreu faz muito tempo, quando eu tinha 12 anos, em 1960.

Meu pai, eu sou tua ressurreição,
herdei-te o rosto, a fé e o sentimento,
herdei-te a paz, o dentro mais profundo.
Ao caminharmos para a perfeição
tenho a impressão de que, certo momento,
fomos um só na criação do mundo.

Viemos de geração em geração,
iguais na vida e morte, que é semente,
multiplicados a nos renascer,
sentindo, a cada nova criação,
o outro querendo ser eternamente
o que um não teve tempo para ser.

Somos tão nós, que a vida nos reflete
como dois incansáveis andarilhos
através da velhice e mocidade.
Por ser tão imenso o amor que nos repete,
renasceremos juntos em meus filhos
e chegaremos um, na eternidade.

Outro exemplo: vou poder contar a vocês como conheci nesta noite de sexta-feira uma cantora brasileira da melhor qualidade, a Lia Sampaio, no velho "Bar do Alemão", aquele mesmo da avenida Sumaré, vizinho do estádio do Palmeiras, ponto de encontro de jornalistas e outros vagabundos, que já passou por muitos donos e hoje é tocado pelo compositor Eugenio Gudin.

Pouco depois das sete da noite, ao final de uma reunião de trabalho com Luis Nassif, meu colega aqui do IG _ sim, por que não juntar a fome e a vontade de comer e fazer uma reunião de trabalho no "Bar do Alemão"? _ já estava pedindo a conta, quando apareceu Lia.

Nassif tinha compromissos e foi embora. Mas eu resolvi pedir mais um chope para ouvir Lia cantando e tocando seu violão solitário no bar vazio. Que beleza! Não é todo dia que a gente tem essa chance de ouvir o melhor da música brasileira pelo módico couvert artístico de sete reais. Puxei um papo com Lia e fiquei sabendo que ela toca e canta ali todas as sextas-feiras, das sete às dez da noite, e das duas às cinco da madrugada _ a vida de artista não é fácil... No sábado, vocês podem ouvir Lia no "Bar do Alemão" também das duas às cinco da manhã. Vale a pena. Ela só não está lá no segundo sábado do mês, quando se apresenta, a partir das sete da noite, na "Casa do Seresteiro", atrás da Igreja da Matriz, em Santana do Parnaíba.

Quando o sino da igreja dá onze badaladas, ela sai do bar com outros seresteiros, um grupo que pode variar de cinco a 50 músicos, para tocar diante das casas da cidade onde tiver luz acesa. Apesar de todas as notícias e comentários que a gente lê no "Último Segundo" e em todos os outros noticiários eletrônicos ou impressos, dando conta dos acontecimentos, tantas vezes trágicos do dia a dia, podemos ainda ter esperanças de que, enquanto houver serestas, o mundo não vai acabar, pois não?





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