12/08 -
19:41
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Ricardo Kotscho
Os atuais dirigentes brasileiros de Itaipu, que assumiram o comando da maior hidrelétrica do mundo, em 2003, têm uma coisa em comum, a começar do seu diretor-geral, Jorge Samek: todos falam muito e são entusiasmados com o que fazem, querem te mostrar todas as novidades ao mesmo tempo.
E elas são muitas para quem, como eu, esteve lá pela última vez há quatro anos. Nos dois dias que passei dentro da área da usina na semana passada, fiquei até tonto com tantas informações que me deram sobre os mil projetos ambientais e sociais que estão sendo desenvolvidos pela empresa.
Quando a atual direção assumiu, faltava a instalação de apenas duas das 20 turbinas (cada uma com capacidade de produzir energia suficiente para abastecer uma cidade de 2,5 milhões de residências) previstas pelo Tratado de Itaipu, assinado por Brasil e Paraguai em 1973, para o aproveitamento do potencial hidráulico do rio Paraná.
Trinta e cinco anos depois, a usina hidrelétrica, finalmente, está pronta. A última turbina foi inaugurada no ano passado. Para se ter uma idéia da grandiosidade da obra, só alguns números:
Tudo muito bom, tudo muito bonito, mas agora é preciso cuidar para sempre da qualidade da água do reservatório de 1.350 quilômetros quadrados numa extensão de 170 quilômetros, que forma o grande Lago de Itaipu e faz girar as turbinas responsáveis por 20% de toda energia consumida pelo país.
Para isso, foi criado o programa “Cultivando Água Boa”, que beneficia toda a região da Bacia Hidrográfica Paraná III, numa área de oito mil quilômetros quadrados, onde vivem mais de um milhão de habitantes, em 29 cidades.
Quem toca esse projeto é o mais empolgado de todos os diretores com quem conversei em Itaipu, exatamente o que cuida da área de meio ambiente: o advogado e ex-deputado constituinte Nelton Miguel Friedrich.
“Eu quero viver cem anos!”, proclama ele para justificar seu empenho em defender a terra e a água no entorno de Itaipu, o grande gerador de desenvolvimento da região conhecida como Três Fronteiras (no entroncamento de Brasil, Argentina e Paraguai).
“Tal como se cultiva o solo para produzir bons frutos, as águas necessitam de cuidados e cultivo para que possam se manter abundantes e com boa qualidade” - esse é o conceito que Friedrich está difundindo na região para mobilizar as comunidades e conquistar mais parceiros.
Embora já tenha investido mais de 20 milhões de dólares no projeto desde 2004, o objetivo do diretor de coordenação de Itaipu é criar condições para que num futuro próximo o programa seja auto-sustentável, sem precisar de recursos financeiros da empresa binacional.
O programa já conta com mais de dois mil parceiros: instituições federais, estaduais, municipais e da sociedade trabalhando em projetos e ações conservacionistas do solo e da água, agricultura orgânica, culturas alternativas, pesca sustentável, aqüicultura, plantas medicinais, saneamento rural e urbano, educação ambiental e laboratório ambiental.
Entre os 2.146 parceiros, estão ONGs, igrejas, prefeituras, sindicatos, escolas de ensino fundamental e médio, cursos superiores, assentamentos de reforma agrária e os moradores de 80 microbacias, comunidades indígenas, colônias de pescadores, catadores de materiais recicláveis e merendeiras de escolas municipais.
O Comitê Gestor Externo de Itaipu criado por Friedrich promove as “Oficinas do Futuro” em que os próprios moradores e suas entidades apontam em diferentes etapas, ao longo de seis meses, os problemas e propõem ações para a melhoria no manejo do solo e da água.
Para evitar o assoreamento do Lago de Itaipu, que poderia colocar em risco o funcionamento da usina, e a degradação da águas que abastecem as cidades da região, mais de 23 milhões de árvores de 49 espécies foram plantadas até 1996 para formar as matas ciliares na área de proteção dos rios do lado brasileiro - e, de lá para cá, mais 500 mil são plantadas a cada ano.
“Nas discussões que promovemos nas comunidades, os moradores descobrem que muitas ações dependem somente deles, e não dos governos nem de Itaipu. Às vezes, as soluções não requerem apenas dinheiro, mas a conscientização de cada morador”, constata o advogado que virou ecologista em tempo integral.
“Cultivando Água Boa” é apenas um dos programas sócio-ambientais desenvolvidos pela empresa que vale a pena conhecer. No final de novembro, será promovido em Foz do Iguaçu o V Encontro Cultivando Água Boa e o I Fórum Americano das Águas, com mais de três mil participantes.
Além do Parque Tecnológico de Itaipu, que hoje abriga centros universitários avançados, laboratórios de pesquisa e oficinas de artesanato, recentemente instalados nos galpões que serviam de alojamento para os operários solteiros durante as obras de construção da usina, outras iniciativas merecem uma visita:
Para quem for a Foz do Iguaçu conhecer as cataratas, uma das sete maravilhas da natureza, recomendo uma visita a Itaipu, ali ao lado, eleita pela Sociedade Americana de Engenheiros Civis, uma das sete maravilhas construídas pelo homem.
O turismo, aliás, é outra importante fonte de renda para a empresa, que já recebeu mais de 13 milhões de visitantes vindos de todas as partes do mundo e agora está abrindo à noite para mostrar a barragem iluminada por 519 refletores e 112 luminárias, ao som de uma trilha criada especialmente para acompanhar o acendimento das luzes. É bonito de ver, dá até orgulho na gente.
Mais informações: circuitoespecial@itaipu.gov.br
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