25/07 - 10:58 - Ricardo Kotscho
Dois números chamam a atenção na nova rodada da pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira, em que Marta Suplicy (36%) e Geraldo Alckmin (32%) aparecem tecnicamente empatados:
- Marta tem 46% dos votos entre eleitores com renda familiar de até dois salários mínimos;
- Alckmin tem 46% dos votos entre quem tem renda familiar superior a dez salários mínimos.
Com a campanha caminhando para uma polarização entre os dois, deixando o atual prefeito Gilberto Kassab (11%) comendo poeira, a mais de 20 pontos de distância, o quadro começa a ficar mais claro, a pouco mais de três meses do dia da eleição.
| Agência Brasil |
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| Marta e Lula em encontro em Brasília |
Entre os dois extremos, quem vai decidir estas eleições é o eleitorado que ganha entre três e nove salários mínimos, quer dizer, a chamada nova classe média emergente, também rotulada pelos especialistas como classe C.
Rejeitada pela classe média tradicional paulistana, que não pode nem ouvir falar em Lula e PT, não bastará a Marta manter a fidelidade do grande eleitorado de menor renda das zonas sul e leste.
Nos últimos anos, cresceu um novo contingente de eleitores que saíram da pobreza para a classe média, tornaram-se consumidores e se espalham por todas as regiões da cidade.
Resta saber se esta classe média emergente repetirá em São Paulo o que aconteceu nas últimas eleições presidenciais, em 2006, quando foi determinante para a reeleição do presidente Lula, ou herdará os preconceitos arraigados da classe média tradicional.
Foi aqui, na maior cidade do País, afinal, que Lula historicamente sempre enfrentou as maiores dificuldades eleitorais e os maiores índices de rejeição.
Amarrar sua candidatura aos altos índices de popularidade do presidente no restante do País, como sinalizou neste início de campanha, pode ser um bônus ou um ônus para Marta, a depender dos rumos que tomar em São Paulo esta nova classe C.
| Agência Brasil |
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| Alckmin e Serra em campanha em 2006 |
Mantido o quadro atual, será inevitável no segundo turno ver Lula subindo no palanque de Marta e, Serra, no de Alckmin, todos de olho em 2010, o que promete fortes emoções para a reta final das eleições paulistanas. Façam suas apostas.
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