26/06 - 18:50 - Ricardo Kotscho
Como são as coisas... A Espanha botava tão pouca fé no seu futebol bilionário que uma grande rede de lojas de Madri fez uma promoção oferecendo devolver 25% do preço na compra de um aparelho de TV se a seleção passasse das quartas da final.
Pois o time do técnico Luis Aragonés, um jovem de 69 anos, que não gosta de amarelo e fez sua seleção jogar com uma estranhíssima camisa mostarda, não só chegou às semifinais, como ainda deu um olé na Rússia, com uma implacável goleada por 3 a 0, na tarde desta quinta-feira em Viena, na Áustria.
E agora, no próximo domingo, a Espanha vai disputar a final da Eurocopa contra a Alemanha, que despachou a Turquia na véspera. Não percam!
A loja pode ter ficado no prejuízo, mas nunca tinha visto uma seleção espanhola com tantos craques, quase todos espanhóis, diga-se, não dando a menor chance à apatetada seleção russa, que cinco dias antes tinha colocado a Holanda na roda.
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AP |
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Xavi comemora seu gol contra a Rússia |
Desta vez, com a torcida cadenciando o olé e cantando “Está chegando a hora...”, a Espanha lembrou até, por alguns instantes, especialmente no segundo tempo, aquela seleção brasileira que deixou a então União Soviética sem achar a bola na Copa do Mundo da Suécia, faz 50 anos.
Depois de um primeiro tempo morno, em que a Rússia teve maior tempo de posse de bola, mas só chutou cinco vezes contra o gol de Casillas, contra dez arremates dos espanhóis, nos últimos 45 minutos a torcida que lotou o estádio Ernst Happel viu um dos mais belos espetáculos de futebol desta Eurocopa 2008.
Era outra Espanha em campo, a demonstrar que um técnico que tem o time na mão e sabe o que quer, como Luis Aragonés, pode, sim, mudar o rumo de uma partida.
Com toques rápidos, sem manter posição fixa do meio campo para a frente, a seleção espanhola marcou seu primeiro gol logo aos cinco minutos. Xavi desviou na entrada da pequena área um chute sem direção de Iniesta.
Daí para a frente, os russos devem ter se lembrado dos 4 a 1 que tomaram da mesma seleção espanhola na estréia da Eurocopa e trataram só de se defender.
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EFE |
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Torcida comemora a classificação para a final |
Fábregas, que entrara no lugar de um dos ídolos espanhóis, David Villa, machucado ainda no primeiro tempo, assumiu o papel de maestro. Foi ele quem deu um belo passe para Güiza fazer o segundo, aos 28, depois de seguidos gols perdidos pela Espanha para desespero de Aragonés.
Também saiu dos pés de Fábregas o passe para o terceiro gol, deixando David Silva livre para matar o jogo e dar início ao baile que deixou os russos com cara de quem não estava entendendo o que se passava em campo.
Em Madri, muitos torcedores comemoraram duplamente: a ida para a final de seleções européias e uma boa grana no bolso a ser paga pela loja que não acreditava na seleção de camisa mostarda e calções pretos.
Todas as zebras acabaram ficando pelo caminho e a Eurocopa 2008 chega ao seu final com as seleções dos dois países, Alemanha e Espanha, que, ao lado da Itália, promovem os mais fortes, milionários e bem organizados campeonatos nacionais.

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