01/06 - 19:52 - Ricardo Kotscho
Eleito o melhor técnico do Brasil três vezes seguidas, bicampeão nacional pelo São Paulo, Muricy Ramalho virou uma unanimidade no final do ano passado, quase um gênio do futebol _ um ser acima do bem e do mal, que podia falar e fazer qualquer bobagem que todo mundo ia achar bonito. Tanto é, que a direção do São Paulo renovou seu contrato até o final de 2009, um recorde nesta função de alta rotatividade no nosso futebol.
De um ano para outro, porém, a badalada diretoria do tricolor, também ela endeusada pela imprensa como uma instituição de excelência em meio à esculhambação geral, vendeu alguns dos seus melhores jogadores (Breno, Leandro e Souza) e fez uma besteira atrás da outra na contratação dos seus substitutos (Carlos Alberto, Fabio Santos, Eder Luiz, Juninho e mais um balaio de laterais direitos, que nem Muricy é capaz de lembrar dos nomes).
Pois acharam que, com Muricy e a badalada “estrutura do clube”, o São Paulo iria se dar bem com qualquer jogador, por mais carne de pescoço que fosse. Bastava só jogar as camisas do tricolor para cima no vestiário e correr para o abraço. Desde o primeiro jogo deste ano, deu para perceber que este novo São Paulo era um time sem alma, sem liderança, sem padrão de jogo, sem chance de disputar títulos.
O primeiro a demonstrar isso foi o próprio Muricy, que passava todos os jogos, o jogo inteiro xingando e se deblaterando à beira dos gramados _ como se fosse possível fazer um time jogar no grito e no palavrão. Sem conseguir empolgar a torcida tricolor em nenhum momento, o São Paulo versão 2008 chegou às fases decisivas do Campeonato Paulista e da Taça Libertadores aos trancos e barrancos, sempre no sufoco, graças a alguns gols salvadores do Adriano, que estava ali só de passagem, como todo mundo sabia.
Bem que Muricy tentou mudar o esquema, testou as mais diferentes escalações, mas o futebolzinho era sempre o mesmo, simbolizado por um jogador que nunca saía do time. Podia entrar de lateral esquerdo, ala ou no meio de campo, podia mudar o time inteiro, mas lá estava o insubstituível do Muricy, o Richarlyson, verdadeiro fenômeno do moderno futebol brasileiro.
Digo fenômeno porque o cara não sabe marcar, quase não acerta um passe, só joga para os lados e para trás, erra quase todos os chutes a gol, cabeceia mal e teima em fazer lançamentos para ninguém, reclama de tudo, toma cartão a torto e a direito, e vive de peito estufado desde que foi convocado por Dunga para a seleção brasileira.
Muricy pode até alegar que desmontaram o time dele do ano passado e não lhe deram outro, mas ninguém o obrigava a manter Richarlyson em campo. Além do mais, como já recebeu convites de tudo quanto é time grande do Brasil e até de seleções estrangeiras, e como eu sei que o Muricy é mais são-paulino do que eu, está mais do que na hora de ele pedir o boné _ por favor, levando o Richarlyson junto com ele.
Já deu, Muricy. Muito obrigado por tudo que você fez pelo nosso São Paulo e muitas felicidades no teu novo time. Só não esquece de levar junto o insubstituível Richarlyson. Só assim poderá aparecer um novo técnico com coragem de promover os juvenis que disputaram a Taça São Paulo no começo do ano e quase não tiveram chance no time de cima. Até o fim do ano, quem sabe, pode aparecer um outro Breno ou Kaká com os nomes de Aislan ou Sergio Mota. Do jeito que está é que não dá pra ficar.

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